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Estar ou não estar nu

Por João Batista Freire

Usar ou não usar roupas, neste ou naquele ambiente, deveria ser uma prerrogativa de cada cidadã ou cidadão, uma vez que a escolha não afeta a vida, em qualquer de suas manifestações.

 

Não temos uma pele que nos abrigue do frio, portanto, quando a temperatura cai, somos obrigados a nos agasalhar. Quando faz muito calor também, pois que a exposição excessiva aos raios solares nos adoecerá. Em certos lugares as roupas podem nos proteger de contaminações. As roupas também podem servir de adornos; através dos séculos nunca deixamos de sentir prazer com roupas, joias, calçados etc. Nos enfeitamos por questões estéticas e isso é saudável. Porém, fora essas circunstâncias, qual a utilidade das roupas?


Que cada qual decida quando precisa de roupas para se enfeitar ou se proteger. E quando julgar que isso não é

necessário, que não as use. Ah, mas resta um problema: a nudez incomoda moralistas, fere costumes, denuncia hipocrisias.

 

Lembro que, em boa parte do mundo atual, as mulheres não podem sequer descobrir o rosto. Homens podem andar desnudos da cintura para cima, mulheres não. Se, em meio a uma reunião de negócios eu resolver, por causa do calor, tirar toda a roupa, a reunião será suspensa.

 

Friedensreich Hundertwasser, o grande artista austríaco, costumava dar palestras nu. As pessoas, aos poucos, acostumaram-se com isso. Um congresso de parlamentares sérios, algo que não sei se existe, em maioria, em qualquer país do mundo, deveria discutir se estar sem roupa em qualquer ambiente é obsceno ou não, e se deveria ser prerrogativa de cada pessoa.

 

Considero-me mais simpatizante que militante da causa naturista, mas não é necessário ser militante para ver a nudez com simpatia, basta não ser preconceituoso. Ser contra a pessoa nua provém de preconceito... e de leis que garantem legalidade ao preconceito.

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João é membro da AGAL - Amigos Naturistas da praia da Galheta

Naturismo é democrático

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Por João Batista Freire

O Naturismo não é uma prática que nasceu de uma lei, isso em todo o mundo, mas que nasceu de uma ideologia, de um modo de ver e estar no mundo, de acreditar que a vida social coerente com a vida natural é melhor para todas as criaturas vivas do planeta. O Naturismo instala-se por costumes e não por leis, como ocorreu na Galheta e em todos os lugares do mundo.

 

Os naturistas não são assexuados, mas reservam suas práticas sexuais para seus momentos íntimos, não públicos, e não fazem disso bandeira de ações. Voyeurs, assediadores, exibicionistas, entre outros, apresentam-se em espaços naturistas, como se apresentam em quaisquer espaços onde a libido é estimulada.

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Praia da Galheta - Florianópplis - SC

Durante o processo de elaboração de ações para o plano de manejo da Galheta e Santinho, a AGAL empunhou a bandeira do preservacionismo ambiental, e não do Naturismo, embora lutasse para garantir a presença do Naturismo na praia da Galheta. Outros grupos, mesmo tendo suas reivindicações contempladas, empunharam a bandeira do ataque ao Naturismo, usando o argumento de que ele era o responsável por atrair os atos obscenos para a praia. Esses mesmos grupos são compostos por pessoas suficientemente inteligentes para saber que a origem de tais atos não é o Naturismo, caso contrário eles não ocorreriam em outras praias.

 

Tenho dúvidas se as pessoas desses grupos se oporiam aos atos obscenos, caso não houvesse Naturismo na Galheta, e acredito que sua luta não é contra eles, mas contra o Naturismo, cuja ideologia fere seus princípios ultraconservadores. O ultraconservadorismo produz um moralismo de tal forma exacerbado que esbarra nas fronteiras do fascismo, daí as ameaças violentas que já sofremos. Porém, como eu disse no início, o Naturismo não depende de leis, mas de costumes, e o costume do naturismo na Galheta já está instalado há décadas. Não seria uma lei que o derrubaria.

 

O conflito atual, que interpôs naturistas e moralistas extrapolou a praia e chegou ao público, com reportagens na grande imprensa. Esse conflito divulgou o Naturismo, gerou debates e fortaleceu o Naturismo, atraindo para a praia um contingente maior de pessoas dispostas a experimentar o sol e a água diretamente na pele, sem os obstáculos de vestes. O Naturismo é democrático, o moralismo é autoritário. O Naturismo é avanço, o moralismo é retrocesso. Por mais que lamentemos as manifestações do autoritarismo, do moralismo e de seu pai maior, o patriarcado, avançamos, sempre avançamos. A Idade Média passou e não voltará.

João é membro da AGAL - Amigos Naturistas da praia da Galheta

(enviado em 10/01/24 via WhatsApp)

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