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Crônica de costumes

por Arthur Virmond de Lacerda Neto

Há três lustros adoto o costume (europeu) de alugar quarto em meu lar, para estudantes, o que anuncio em comunidades do Facebook. Até seis ou sete anos atrás, os anúncios continham a nota de que alugava o quarto para rapaz “que não se escandalize com a nudez dos demais moradores”, porquanto muitas vezes estou nu em casa; nos comentários aos anúncios surgia uma ou outra gracinha, e muitos interessados, que me falavam em privado e que me diziam de sua indiferença para com a nudez. Aluguei para vários rapazes indiferentes à nudez, para um nudista e para um que se tornou tal; também há moças indiferentes à nudez.

 

Em 2021 repus o anúncio, com o enunciado de anos atrás; antes havia muitos candidatos e raros me faziam gracinhas sem estarem interessados no quarto; agora apareceram poucos interessados (devido à pandemia e por não haver aulas presenciais) e inúmeros sarcásticos, que usaram o anúncio para ridicularizar-me e ao próprio anúncio; bloqueei-os. São os provocadores digitais: pessoas que interferem nas mais variadas comunidades, sobre todas as matérias (nudez ou qualquer outra), para suscitar celeuma com sarcasmos, ironias, infantilidades, geralmente por epigramas.

 

Por experiência de anos, noto haver receptividade para com a nudez doméstica, que copiosos rapazes e moças de classe média-média ou alta são-lhe indiferentes, que vários praticam-na, sobretudo quando sozinhos em casa; candidatos desta condição dirigem-se-me geralmente com bons modos, como: “Olá, Arthur. Vi seu anúncio. Pode dar-me mais informações ?”, “Boa noite, Arthur. Sobre o quarto que aluga, gostaria de mais detalhes”. Por outro lado, quem se me dirige sem boas maneiras e abruptamente (“Qual valor ? Endereço ?”, “Tá alugando ainda ?”, “Tenho interesse nesse item.”) geralmente pertence às classes baixas e cultiva preconceito contra a nudez.

 

Há dois padrões de comportamento:

 

1) nas classes média-média, média-alta e alta há boas maneiras no trato e geralmente indiferença para com a nudez doméstica, ainda que os interessados não sejam nudistas; geralmente são jovens de espírito aberto em relação a costumes, freqüentes nas comunidades gls (porém não a elas limitadas); eles dissociam nudez de sexualidade. Antes da pandemia eram muitos os candidatos nestas condições.

 

2) Nas classes média-baixa e baixa são comuns rudeza no trato e recusa da nudez, freqüentes nas comunidades abertas ao público em geral (não especificamente gls).

As conclusões que exarei nos número 1 e 2 não constituem opiniões minhas, não me são juízos subjetivos; elas exprimem a observação de factos, são dados objetivos em que descrevi o que averiguei. Novos contactos com interessados no quarto, em  janeiro e fevereiro de 2022 corroboram exatamente o que concluí.

por Arthur Lacerda

arthurlacerda@onda.com.br

01/02/22

Nota da Redação: O jornal OLHO NU não concorda necessariamente com todas as opiniões emitidas nos artigos e matérias publicadas, assinadas pelo seus autores.

Conservadores & Pelados

por Paulo Cabral*

Img: Divulgação

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As pessoas que assistem ao reality Largados & Pelados do Discovery Channel já devem ter percebido que tirar as roupas é apenas o primeiro desafio dos participantes. O difícil mesmo será dominar as técnicas de sobrevivência e conseguir manter um relacionamento saudável com os demais participantes.

 

Logo nos primeiros dias a nudez dá espaço à exposição daquilo que as pessoas têm de mais íntimo e escondido: seus valores e crenças. A empatia, a humildade, o respeito às diferenças e o

Largados & Pelados: programa de TV de muito sucesso

cuidado com o próximo costumam levar os participante até o final da aventura. E ficam para trás aqueles que não conseguem conviver com as diferenças e que não colaboram para construir uma relação saudável e autocrítica.

Na prática do Naturismo, a nudez coletiva, além do convívio pleno com a natureza, consiste também numa manifestação das pessoas a favor da liberdade. O Naturismo está relacionado com ideais de mudanças, de qual se propõe a quebrar os paradigmas e os preconceitos das velhas sociedades.

 

Além de expor o corpo ao sol, ao ar e a água as pessoas que praticam o Naturismo também se colocam plenamente ao olhar das demais pessoas, certas de que não serão julgadas ou avaliadas sob os padrões convencionais da sociedade.

 

Assim como no reality, a exposição das pessoas praticantes do Naturismo, não se limita ao corpo, pois seus valores e opiniões também são expostos nos diversos ambientes destinados a essa prática. Seja nas praias, nos clubes, nos espaços indoor e, cada vez mais, nas redes sociais da internet, também os Naturistas falam, comentam e compartilham suas opiniões.

 

Aqueles valores e opiniões mais conservadores já não permanecem ocultas a velocidade com que as informações circulam nos ambiente virtuais. Isso deve servir de estímulo para que os Naturistas exponham e dialoguem mais sobre suas opiniões, avaliando se de fato se mantêm juntos daqueles que querem as mudanças.

img: Pedro Ribeiro

O Naturismo, como prática libertadora, pode contribuir no tratamento de algumas doenças, como a ansiedade e a depressão; o combate à intolerância social, como o racismo, a misoginia, a homofobia e a cultura do ódio, que estão na gênese da violência da sociedade atual.

 

Os Naturistas de hoje, para se manterem alinhados com a origem contestadora de Luz del Fuego e com a força do FKK, precisam despirem-se de alguns valores conservadores que não lhes são próprios e que afastam as novas gerações do seu convívio.

 

Para que o Naturismo não se transforme num costume antigo de pessoas conservadoras é necessário ir além da prática coletiva da nudez corporal, pois esse é apenas o primeiro desafio.

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Alegria e natureza no Ecoparque da Mata

*Paulo Guilherme Cabral, 57, é goiano,

agrônomo, residente em Brasília,

naturista do Planat.

(enviado em 01/09/21 por Paulo Cabral)

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