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O novo mundo: Naturismo na América do Sul

O jornalista André Aram apresenta uma visão geral do Naturismo na América do Sul em

matéria original publicada na edição de Agosto de 2026 da revista H & E Naturist.

Enquanto em alguns lugares é bem estabelecido, com encontros regulares, associações oficiais e áreas designadas para praticar a filosofia de viver sem roupas, naturismo na América do Sul pode variar consideravelmente entre os 12 países ( e um território francês) que compõem o subcontinente.

por André Aram

Sou jornalista freelance (e naturista) baseado no Brasil, e como tal tenho tido a oportunidade de cobrir muito da região pessoalmente, assim como ter feito contato com vários líderes de associações naturistas da América do Sul. Isso me permitiu obter uma visão geral do estado do naturismo aqui, como o movimento é organizado em cada país, seus principais desafios e seus apelos para o turismo. A conclusão é que há considerável diversidade no desenvolvimento da prática: enquanto alguns países estão bem avançados, outros ainda têm um logo caminho a percorrer.

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Equador

Naturismo neste país é um fenômeno recente, que remonta apenas a 2010, e começou com uma solicitação de ciclistas urbanos que reivindicavam a retomada de espaços públicos em Itchimbía Park, na capital, Quito. Essa iniciativa despertou o desejo de maior liberdade corporal, o que abriu caminho para os primeiros passos em direção ao naturismo no Equador.

 

Naturista desde 2012, Maria Teresa Roldán (conhecida como Mayte) é presidente da organização Naturismo Ecuador e ex-vice-presidente  da Comissão Latino Americana de Naturismo (CLANUD).

 

Embora o país não tenha legislação nacional específica que regulamente praias e espaços públicos naturistas, Mayte assegura que a prática está longe de ser desorganizada. A associação, que ela dirige, coordena o movimento por todo o Equador e, graças a essa estrutura institucional, foi capaz de sediar um grande evento em 2020.

 

O Equador teve o apoio organizacional necessário para se tornar o epicentro da ascensão do movimento”, acredita ela, destacando a realização do ELAN (Encontro Latino Americano de Naturismo) no país, que reuniu delegações

de mais de nove países sob diretrizes da Federação naturista Internacional (INF-FNI).

Quanto aos encontros, ela explica que os naturistas do Equador reservam locais privados, como casas de campo em áreas como Sangolquí ou Guallabamba, perto de Quito. "Somos uma comunidade com história e uma trajetória sólida", afirma. Ao ser questionada sobre quais medidas poderiam ser adotadas para desenvolver ainda mais o naturismo no âmbito do turismo, Mayte destacou três pilares fundamentais: educação (quebra de tabus sociais), sustentabilidade aliada à segurança (aluguel de espaços privados, longe de olhares curiosos) e a promoção do ecoturismo naturista (parcerias com acomodações ecologicamente responsáveis ​​situadas em reservas naturais e praias).

 

"É fundamental educar a sociedade para que ela compreenda que o nudismo social é uma ferramenta ética de igualdade, na qual não há roupas para evidenciar diferenças socioeconômicas", sustenta ela.

 

Onde praticar o naturismo no Equador: no litoral de Esmeraldas, há áreas como Mompiche (Praia Júpiter) e Playa Negra, conhecida por sua areia preta brilhante.

O desafio reside na faixa etária.

PERU

As primeiras iniciativas naturistas (como atividade organizada) remontam a 2003, com a fundação do Los Incas Naturist Club, que mais tarde se tornou a Naturismo Peru. O que começou como um grupo online ganhou corpo em uma casa de campo na capital, Lima. No ano seguinte, o naturismo estendeu-se a uma praia isolada chamada Puerto Bonito, marcando o início do movimento. Embora seja a única praia atualmente reconhecida como naturista, ela

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ainda não foi oficialmente designada como tal.

 

Celso Jiménez, presidente da Associação Naturista de Lima — ANNLI (anteriormente Naturismo Peru) —, já praticava o naturismo ocasionalmente em praias desertas. A criação de uma associação foi uma forma de organizar melhor o naturismo em um país abençoado com paisagens naturais deslumbrantes. No entanto, o naturismo no Peru é descrito como alternativo, discreto e não regulamentado.

 

Para Celso, isso está ligado ao conservadorismo, como ele explica: "Quase toda a América Latina é conservadora; poucos estão dispostos a promover publicamente o naturismo aqui. Quase todos os nossos amigos preferem permanecer no anonimato, o que pode ser visto como um obstáculo para a conscientização e o desenvolvimento do naturismo no Peru".

 

Outro ponto que ele levanta é o desequilíbrio de gênero, visto que a maioria dos interessados ​​são homens solteiros, embora a ANNU seja voltada para todos. "O desenvolvimento do naturismo no Peru tem sido bastante lento", lamenta ele. Ao ser questionado sobre quais medidas poderiam ser tomadas para expandi-lo, ele sugere várias ações que poderiam ajudar.

Seria bom se mais pessoas fossem incentivadas a se tornar mais visíveis e a promover a atividade, mas essa é uma decisão pessoal”. Outro argumento que ele apresenta diz respeito ao turismo: "Seria benéfico se mais turistas estrangeiros se identificassem como naturistas, para que as agências de viagens pudessem criar roteiros para locais onde esse estilo de vida pode ser vivenciado". Segundo ele, os turistas naturistas também incentivariam a prática entre os peruanos.

 

Onde praticar o naturismo no Peru: na Praia Puerto Bonito, onde a prática costuma ocorrer apenas aos domingos, de dezembro a abril — período em que as temperaturas em Lima estão mais elevadas. A ANNLI também organiza atividades em uma casa de campo em Lima, enquanto, na cidade de Arequipa, outra associação naturista — a ANNA — promove atividades em ambientes fechados, bem como caminhadas e passeios à praia.

ARGENTINA

A filosofia naturista na Argentina está um pouco mais avançada do que em alguns de seus vizinhos. O desafio reside na faixa etária, conforme explica Florencia Brenner (ela própria com 70 anos), fundadora da Associação Argentina de Naturismo e Nudismo (APANNA).

 

"Aqui, o naturismo é mais aceito entre pessoas com mais de 40 anos, mas acredito que uma maior participação dos jovens é essencial para o seu crescimento: a maioria dos praticantes já tem idade avançada", diz Florencia, naturista há 26 anos, desde que visitou a ilha francesa de Saint-Martin, no Caribe, com o marido.

 

Após essa primeira experiência no exterior, ela entrou em contato com outros naturistas argentinos e eles decidiram solicitar autorização oficial para praias de nudismo no ano 2000. Nessa mesma época, foi inaugurada a primeira praia de nudismo oficialmente reconhecida na Argentina, chamada La Escondida.

 

"Desde então, o naturismo tornou-se mais conhecido na Argentina. No entanto, uma parte da sociedade ainda associa o naturismo ao sexo, e nossa tarefa é demonstrar que o naturismo não tem conotações sexuais e que é uma prática voltada para famílias", acrescenta Florencia, que também é editora da revista Nudelot, uma publicação muito conhecida na comunidade naturista da América Latina.

 

Embora a disseminação do naturismo na Argentina tenha começado com a praia La Escondida, vale ressaltar que, em 1934, já existia no país uma associação naturista chamada PANDA, cujos membros se reuniam em uma ilha na província de Buenos Aires. Fundada por imigrantes alemães, a associação contava com cerca de 90 membros que participavam de atividades ao ar livre. No entanto, devido à intensa pressão e rejeição da sociedade, o grupo interrompeu suas reuniões.

 

Onde praticar naturismo na Argentina: Playa Escondida e Playa Querandí (esta última localizada em uma reserva natural); ambas ficam na província de Buenos Aires e funcionam durante a temporada de verão.

 

Yatan Rumi: uma reserva natural de 1.200 hectares situada entre as montanhas, com paisagens naturais preservadas, localizada na província de Córdoba. Todos os anos, em dezembro, realiza-se no local a Maratona Internacional de Nudismo. O local oferece opções de hospedagem, bem como uma área de camping.

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BRASIL

O Brasil é considerado pioneiro do naturismo na América do Sul. Suas origens remontam à década de 1950, quando a vedete Luz Del Fuego (1917-1967) praticava o nudismo coletivo em sua ilha naturista no Rio de Janeiro. O banho de sol sem roupas tornou-se difundido a partir da década de 1980, ganhando popularidade em algumas praias.


Segundo Pedro Ribeiro, uma das principais figuras do naturismo brasileiro e ex-presidente de

longa data da uma das associações naturistas do país (ANAbrico), o Brasil está mais avançado em termos de organização e prática do naturismo em comparação com a maioria dos outros países sul-americanos.

 

No entanto, ele observou progressos em alguns dos países que visitou ao longo de seus 40 anos de envolvimento com o naturismo. Falando sob uma perspectiva internacional, ele reflete sobre suas experiências: "Em Mompiche (Equador), ficamos nus em uma praia que não era naturista, bem em frente aos principais hotéis da cidade, sem causar qualquer constrangimento às pessoas presentes". Ele também comenta sobre a experiência em ambientes fechados: "Na Colômbia, não achei difícil praticar o nudismo em locais públicos, como museus; bastava um pouco de organização prévia. De modo geral, parece-me que as pessoas têm uma mentalidade mais aberta em relação à nudez do que antigamente", observa ele.

 

Onde praticar o naturismo no Brasil: locais naturistas como Colina do Sol e Clube Rincão Naturista, além de sete praias oficiais: Abricó, Tambaba, Pedras Altas, Olho de Boi, Massarandupió, Galheta e Pinho. No entanto, as duas últimas são objeto de disputas atuais; portanto, fique atento a atualizações.

CHILE

• "Há quase 50 anos, foi fundada a única praia de nudismo do Chile, chamada Playa Luna. Ela começou como um clube naturista e hoje é uma fundação, criada especificamente para preservar o naturismo e o próprio local", diz Rene Rojas, pioneiro do naturismo no país. Seu primeiro contato com o naturismo ocorreu no Brasil, quando visitou a Praia da Galheta, em Florianópolis.

 

No entanto, o naturismo no Chile ainda se desenvolve em ritmo lento: não existem associações, apenas a fundação criada por Rojas, que organiza apenas dois eventos anuais fora da praia — antes e depois da temporada de verão (em novembro e março), em uma casa de campo — reunindo uma média de 50 pessoas. Ele também ressalta que muitas das pessoas que frequentam a praia não são naturistas locais, mas visitantes estrangeiros: "O naturismo ainda é visto principalmente como uma atividade turística", diz ele com certo pesar.

 

Rojas relembra os desafios enfrentados no início do milênio e as atitudes do público só começaram a melhorar dois anos depois, com a chegada do fotógrafo americano Spencer Tunick, famoso por seus ensaios fotográficos de nus coletivos ao redor do mundo. "A partir daí, a nudez começou a ser vista sob uma luz mais natural", observa ele.

 

De qualquer forma, apesar do progresso alcançado, o futuro de Playa Luna parece incerto: "A praia pode muito bem mudar em cerca de 11 anos, porque vão construir um conjunto habitacional nas proximidades", diz ele. Por enquanto, é o único lugar onde chilenos e estrangeiros podem praticar o nudismo.

EM OUTROS LUGARES

Em outros países da América do Sul, o cenário do naturismo é um tanto variado. Na Venezuela, trata-se de um movimento pequeno e pouco organizado, com uma prática ainda bastante discreta. Na Colômbia, o naturismo vem crescendo em praias isoladas, configurando um movimento emergente. Na Bolívia, é praticamente inexistente, devido a uma cultura que permanece muito conservadora. No Paraguai, a prática é extremamente discreta e não existem áreas naturistas públicas. Apenas no Uruguai — particularmente em Chihuahua — parece haver níveis relativamente altos de aceitação social.

*As imagens foram cedidas pelos entrevistados e têm autoria de

Celso Jimenez, Pedro Ribeiro, ANNLI, Daniel Pereda, Renè Rojas e Juan Castañeda.

(enviado em 7/08/26 por André Aram)

REVISTA NUDELOT 78

A revista eletrônica argentina NUDELOT é publicada periodicamente pela INFOAPANNA, associação argentina para divulgação do naturismo, trazendo muitos artigos e informações a respeito do Naturismo no mundo e sua filosofia. É leitura obrigatória. Para acessar clique no link Revista Nudelot 78.

(enviado em 17/06/26 por InfoApanna)

REVISTA NUDELOT 77

A revista eletrônica argentina NUDELOT, publicada periodicamente pela INFOAPANNA, está disponível para leitura na sua edição número 77. Veja artigos e matérias interessantes sobre o mundo naturista. Veja alguns títulos: "Da nudez às roupas"; "Nudez e Censura"; "ENCONTRO DE NATURISMO LATINO-AMERICANO . ELAN XI - 26 de fevereiro a 1 de março de 2026"; "Brasil: Recuperação da Praia do Pinho como Espaço Naturista"; "Colômbia: Quarto Encontro Internacional de Nudismo" entre outros.

(enviado em 30/03/26 por InfoAppanna)

SPNat já tem seus novos Mister e Miss que irão brilhar em 2026

O SPNat (Naturistas da Grande São Paulo) elegeu seus novos monarcas que irão reinar durante todo este ano até a próxima eleição. Veja esta e outras histórias na edição de fevereiro de Naturalmente, o boletim informativo do grupo paulista.

 

Veja esta matéria no Blog do Jornal OLHO NU. Assine agora.

(enviado em 24/02/26 por SPNat via WhatsApp)

​​Festa de Natal do SPNAT -cobertura completa de "Naturalmente"

A nova edição de Naturalmente, boletim informativo do SPNAT (Associação dos Naturistas de São Paulo), está no ar com a cobertura completa da festa de Natal, ocorrida em meados de dezembro, em sítio no interior do estado de São Paulo, com direito, inclusive, à presença de Papai Noel.

​​Leia as matérias completas no Blog do jornal OLHO NU. Ou baixe a edição em documento PDF, para salvar em seu computador.

(enviado em 7/01/26 por SPNat)

REVISTA NUDELOT 74

A revista eletrônica argentina NUDELOT é publicada periodicamente pela INFOAPANNA, associação argentina para divulgação do naturismo, trazendo muitos artigos e informações a respeito do Naturismo no mundo e sua filosofia. É leitura obrigatória. Para acessar clique no link Revista Nudelot 74.

(enviado em 16/09/25 por InfoApanna)

Uma celebração da amizade naturista no Brasil

Matéria publicada originalmente no blog da Federação Internacional de Naturismo faz resenha do evento junino do grupo NU-RN (Naturistas Unidos do Rio Grande do Norte), realizado no final de junho deste ano.

(enviado em 9/08/25 via WhatsApp)

Naturalmente de junho - o informativo do SPNat

A edição nº 43 do boletim informativo do SPNAT traz a cobertura completa da Festa do Avesso, realizada em maio, no município de Atibaia, interior de São Paulo. Clique sobre a imagem de cada página da edição de junho, para poder leras matérias mais facilmente.

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A edição nº 42 do boletim informativo do SPNAT traz a cobertura completa do encontro de carnaval, ocorrido entre os dias 21 e 23 de fevereiro, no tradicional local dos eventos da associação, em Atibaia.

(enviado em 25/04/25 por SPNAT)

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