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LUZ DEL FUEGO - Madrinha do Naturismo Brasileiro

O jornal OLHO NU reaviva uma matéria publicada originalmente em março de 2010, quando o extinto Grupo Naturismo Capixaba prestou, no dia 21 de fevereiro, uma homenagem à ilustre cachoeirense Dora Vivácqua, conhecida mundialmente como LUZ DEL FUEGO. Se estivesse viva, teria hoje 109 anos

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Conheça um pouquinho desta magnífica mulher que foi importante referência para o movimento feminista brasileiro, que na década de 1950 já lutava pela libertação feminina. Uma de suas inúmeras frases: "daqui a 50 anos serei lembrada", eternizou-se porque já se passaram 60 anos e ela continua brilhando com sua "LUZ que nunca se apagou".

 

Os ensinamentos de liberdade, igualdade e fraternidade são legados para os naturistas que praticam a filosofia naturista com ética, respeito ao próximo e à natureza.

 

"Um nudista é uma pessoa que acredita que a indumentária não é necessária à moralidade do corpo humano. Não concebe que o corpo humano tenha partes indecentes que se precisem esconder".

LUZ DEL FUEGO

 

Luz del Fuego, nome artístico de Dora Vivacqua, (Cachoeiro de Itapemirim, 21 de fevereiro de 1917 — Rio de Janeiro, 19 de julho de 1967) foi uma bailarina, naturista e feminista brasileira. Dora foi a décima quinta filha de Etelvina e Antonio Vivacqua, de famílias oriundas da imigração italiana no Espírito Santo. Foi irmã do senador Attilio Vivacqua.

Dança

Em 1944 inicia suas apresentações como bailarina, usando o nome artístico "Luz Divina", no picadeiro do circo "Pavilhão Azul". Posteriormente por sugestão do amigo e palhaço Cascudo, mudaria o nome para Luz del Fuego, nome de um batom argentino recém-lançado no mercado. Ele acreditava que o nome em espanhol atrairia o público.

Depois de um tempo estudando na Europa, Luz del Fuego volta ao Brasil em 1950 e começa a revolucionar os costumes do povo brasileiro.

 

Naturismo

Ela traz da Europa algo que de imediato associou com a história dos primeiros brasileiros (os índios). Luz del Fuego apresentava-se seminua com uma ou às vezes duas cobras jibóias enroladas em seu corpo e ficou muito famosa em sua época. Adepta da alimentação vegetariana e do nudismo, não fumava, nem ingeria bebidas alcoólicas e, através de uma concessão da Marinha, obteve licença para viver na ilha Tapuama de Dentro, que foi por ela rebatizada como "Ilha do Sol" e onde fundou o primeiro clube naturista do Brasil, o "Clube Naturalista Brasileiro".

 

Luz del Fuego, devido a sua coragem para enfrentar o preconceito de sua época com relação ao nudismo, e pelo pioneirismo na criação do primeiro clube naturista do Brasil, tem hoje sua data de nascimento, 21 de fevereiro, lembrada e comemorada entre os naturistas brasileiros, como "Dia do Naturismo".

Sua famosa frase que retrata bem o seu pensamento: "Um nudista é uma pessoa que acredita que a indumentária não é necessária à moralidade do corpo humano. Não concebe que o corpo humano tenha partes indecentes que se precisem esconder".

Na primeira metade dos anos 1950 ela fundou um Partido Político chamado Partido Naturalista Brasileiro e se candidatou a Deputada Federal por este partido.

 

Importante observar que atualmente, o termo naturalismo é apropriado para quem é especialista em história natural, ficando o termo naturismo associado para as pessoas que praticam o chamado "nudismo social".

Ilha do Sol

Ainda em 1954 Dora Vivacqua criou o que viria a ser a primeira área de naturismo no Brasil. O Clube Naturista Brasileiro que funcionava na ilha de Tapuama de Dentro que fica na Baía de Guanabara no Rio de Janeiro. A esta ilha de 8 mil metros quadrados deu o nome de Ilha do Sol.

 

Várias personalidades de Hollywood estiveram na Ilha do Sol, dentre elas: Errol Flynn, Lana Turner, Ava Gardner, Tyrone Power, César Romero, Glenn Ford, Brigitte Bardot e Steve MacQueen. Porém mesmo estrelas do porte de Jayne Mansfield foram barradas no píer por não quererem ficar nuas.

A nudez era obrigatória e total na Ilha do Sol. Ninguém, nem mesmo autoridades e personalidades podia entrar na ilha sem deixar toda e qualquer peça de roupas ainda no píer.

 

Em 1955 a INF-FNI - Federação Internacional de Naturismo, reconheceu oficialmente o surgimento do movimento naturista no Brasil adicionando a Ilha do Sol e o Clube Naturista Brasileiro como um de seus afiliados.

 

Durante a década de 1960, Luz del Fuego e seus amigos naturistas começaram a frequentar também, uma praia deserta que hoje se chama Abricó. A Praia do Abricó era uma segunda opção para quem gostava do naturismo, e até a hoje é utilizada pelos naturistas.

Morte

Em 1967, Luz del Fuego e seu caseiro foram assassinados, seus corpos foram amarrados em pedras e depois lançados para o fundo do mar. Após a sua morte, a Ilha do Sol voltou a ficar desabitada. A construção resiste ao tempo, com as paredes e a laje em perfeitas condições, onde inclusive, ainda se podem ver desenhadas na laje as duas cobras que ajudaram a eternizar a imagem da dançarina.

 

Legado

Seu legado permanece até hoje, e o naturismo brasileiro tem grande orgulho de ter Luz del Fuego como uma de suas personagens históricas.

 

Também o movimento feminista brasileiro deve muito a esta mulher de garra que na década de 1950 já lutava pela liberdade feminina, sendo muito conhecida uma frase que repetia, a de que "daqui a 50 anos serei lembrada", talvez porque já naquele tempo conhecesse as propriedades medicinais da Helioterapia e Aeroterapia.

Um vídeo postado no YouTube conta a história dessa capixaba, a partir da última entrevista que Luz concedeu à extinta revista O Cruzeiro.

(enviado em 30/01/26)

Nota de falecimento: Rosana Diniz

Faleceu na quinta-feira, dia 6 de novembro, no município do Conde, na Paraíba, Rosana da Silva Diniz, vítima de complicações de aneurisma cerebral. Foi membro da SONATA (Sociedade Naturista de Tambaba), Rosana extrapolou sua condição de associada, sendo uma das pessoas mais atuantes e influentes na praia de Tambaba, no mesmo município onde viveu boa parte de sua vida.

Por Pedro Ribeiro

(enviado em 7/11/25) 

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