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Edição nº 310 - Setembro de 2026 - ano XXVII

Novamente falamos de ereção em áreas naturistas
De vez em quando aparecem nas redes sociais ligadas ao naturismo debates de um tema recorrente que eternamente aflige o equilíbrio emocional de boa parcela da população masculina que, em algum momento, teve vontade de vivenciar o naturismo: a ereção.
por Pedro Ribeiro*
Este artigo não pretende aliviar essa angústia de ninguém, porém declarar minha humilde opinião sobre o tema, a partir de minha experiência no convívio naturista por mais de 40 anos, também, como membro da administração de uma associação de praia naturista pelo mesmo tempo, acabando por perceber o comportamento social das pessoas sobre essa situação específica (principalmente dos homens, mas também das mulheres) nas praias públicas e encontros naturistas em locais fechados.
A ereção desde sempre é uma preocupação nas cabeças masculinas, pois ela é um orgulho masculino, com a maioria acreditando que ela é automática e incontrolável. Então não é difícil imaginar como se preocupam aqueles que têm intenção de se iniciar no Naturismo e sabem que manifestações de cunho sexual não são permitidas em ambientes naturistas.
Ando percebendo das discussões sobre o assunto nos grupos sociais, que se denominam nudistas, “peladistas” e, até mesmo, naturistas, tendência a “normalizar” a ereção nos ambientes naturistas com a
Img.: Arquivo JON/Internet

Brincadeiras no vestiário podem ser descontraídas ou constrangedoras. Depende da "galera" que está lá. Para muitos ficar nu na frente dos outros pode provocar ereções não proogramadas.
justificativa de ser incontrolável e característico do universo masculino, que não tem necessariamente relação com desejo ou intenção sexual e que o flagrante de tal situação não deveria ser repreendida, mas ignorada. No entanto, considero essa ignorância (o ato de ignorar) da ereção temerária para a harmonia do ambiente naturista.
Minha experiência de décadas em ambientes naturistas (e até por analisar meu próprio comportamento) indica que, com raríssimas exceções, ereções penianas em áreas naturistas não são tão inocentes e desprovidas de intencionalidade como alguns querem fazer acreditar.
Na minha opinião, que não é baseada em estudos científicos, mas por vivência e empirismo, a ereção é controlável por aprendizado desde a infância, por educação, como também aprendemos a controlar outras manifestações corporais para não serem demonstradas em público, mesmos aquelas que são necessidades fisiológicas que podem ser até prejudiciais ao organismo se forem constantemente evitadas. Manifestações que são consideradas de muito mau gosto ou de profunda falta de educação como arrotar, “peidar”, urinar ou defecar, coisas naturais, o que todo ser humano faz, desde o nascimento, mas aprende que não pode fazer na frente dos outros.
Img.: Gshow

Hoje em dia é mais comum homens se trocarem em vestiários se cobrindo o máximo possível e até tomando banho de cueca ou de sunga.
Então ereção peniana incontrolável é “conversa para boi dormir”. A partir da adolescência todos somos capazes de nos controlarmos. E na maior parte das vezes não foi por ensinamento dos pais. Pois em nossa sociedade justamente quando a sexualidade está explodindo, os adolescentes são expostos a situações que os obrigam a se controlar, como por exemplo em vestiários dos colégios, nos banhos coletivos após as atividades de Educação Física, onde uma ereção pode representar muita zombaria por parte dos colegas e muita vergonha por parte de quem se expôs, mas claro que isso depende da "galera" que está naquela situação.
E para adolescentes gays a situação de vestiário é ainda muito mais constrangedora, pois eles têm medo de serem descobertos homossexuais com uma prova incontestável de ereção diante somente de rapazes. E isso perdura mais adiante à medida que vai se tornado adulto e passando por situações que o obrigam a se controlar e nós realmente aprendemos a nos controlar. (Atualmente é comum adolescentes e adultos jovens tomarem banho de cuecas ou sungas em vestiários de academia e, também trocarem de roupas enrolados em toalhas ou nos reservados, certamente, com medo de uma exposição constrangedora. Essa atitude, no entanto, pode prejudicar seu autocontrole futuro).
Por outro lado, afirmo que quase toda ereção peniana é de cunho sexual. É originada por desejo sexual incontrolável. Desta forma condeno essa reação em áreas naturistas.
O que percebi na minha experiência de controle de praia é que ereções públicas eram muito raras (atualmente parece estar aumentando o número de eventos desse tipo) e que quase a totalidade das vezes ela é estimulada, ou seja, ocorre após a manipulação do pênis pelo proprietário ou por uma outra pessoa ou por toques em partes do corpo que servem de estimulante sexual.
Mesmo quando não há toques a ereção ocorre porque o indivíduo estimula seus pensamentos sexualmente quando vê outros corpos nus, às vezes até sem perceber que está tendo estes pensamentos, da mesma forma como ocorriam nos vestiários quando era adolescente. São raríssimos os casos que o rapaz tira a sunga para entrar na praia de nudismo e já está com ereção.
Por causa dessa percepção da situação, a diretoria da praia do Abricó, há tempos, criou uma cartilha com regras de como deveria ser a abordagem por

Img.: endsso
Situações como essa em praias naturistas devem ser evitadas. Se não consegue segurar a onda durante e depois de manifestação de carinho, é melhor não fazer.
7) Sexo (Oral, masturbação, penetração). Insistência em tocar o órgão sexual da outra pessoa. Advertência verbal e expulsão da praia da mesma forma como no item 6, de todos os envolvidos no ato.
Conclusão. Acho que nunca devemos ignorar o evento da ereção peniana numa área naturista pública ou privada, seja ela de origem espontânea ou provocada. Em praias o cuidado da administração deve ser ainda maior, pois quase a totalidade das pessoas que as frequentam não é naturista. Grande parte somente procura praias nudistas para satisfazer fantasias eróticos, ou à procura de parceiros para o sexo. Se não cortar o mal pela raiz, em pouco tempo a praia se torna de frequência insuportável para famílias naturistas e podem perder seu licenciamento para que sejam praias nudistas e naturistas. É uma questão de sobrevivência.

Masturbação em praias de nudismo prejudica o desenvolvimento do naturismo e provoca reação negativa da opinião pública. Isso precisa ser veemente reprimido.
parte da fiscalização e da orientação aos indivíduos que descumprissem as regras da praia e do Naturismo, entre elas estão as normas de resposta à ereção pública. As normas foram classificadas em situações diversas a partir da origem perceptível daquela ereção específica. (parece coisa de obcecado ou doido varrido, mas estas normas facilitam o diálogo como o “infrator”):
1) Ereção continuada. Se a ereção ocorrer de maneira “natural”, ou seja, sem a prévia manipulação do pênis. Advertir, calmamente, explicando que se deve evitar ter ereção, se possível falar de maneira jocosa e descontraída, falar que deve pensar em outra coisa, como na sogra, por exemplo.
2) Ereção continuada, porém, a pessoa está circulando pela praia. A pessoa deve ser interpelada, calmamente, pedir para parar de circular e seguir o rito do item 1 daí de cima.
3) Manipulação do pênis, mas ainda sem ereção. Advertência incisiva, calma, pedir para parar e lembrar que se continuar poderá ser convidado para se retirar da praia.
4) Manipulação do pênis com ereção, porém ainda não é uma masturbação explícita. Advertência incisiva e pedir para pessoa sair do lugar onde está e avisar que será vigiado.
Os outros itens já se referem a situação sexual explícita, embora não sejam apenas simples ereções, vou colocar aqui para que também se tenha ideia da atitude que será tomada pelos fiscais.
5) Masturbação. Advertência verbal, incisiva, mas com tranquilidade e convidar para a pessoa sair da praia. Se houver resistência, chamar mais um fiscal para ajudar para que a pessoa aceite o convite.
6) Casais hetero ou homo, que estão com atitudes mais ousadas (esfrega, pegar no órgão sexual do outro). Interpelar, e pedir mais moderação e lembrar com tranquilidade que determinadas atitudes devem ser evitadas em público. Mas tente chegar com piada, dizendo que vai ter que separar os corpos.
Img. Arquivo JON, com foto montagem
*editor do jornal Olho Nu,
ex-presidente da Associação Naturista de Abricó,
ex-presidente da Federação Brasileira de Naturismo
(enviado em 7/09/26 por Pedro Ribeiro)



