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Natural Desnaturado

Por Paulo Pereira*

O atual cenário mundial revela claramente a alienação humana, com guerras e epidemias atormentando gravemente a todos, sem distinção de classe ou pretensa raça, um pesadelo anunciado pela teimosia da utilização de um modelo fracassado, desnaturado, de humanidade, de civilização, sempre o improviso oportunista e a ignorância conceitual como virtudes patéticas... Mesmo distantes da trevosa Idade Média, os seres humanos, certamente primatas paradoxais, continuam cultuando as cegueiras intelectual e espiritual, o velho delírio de poder e riqueza a qualquer preço, o egoísmo burro prestigiado adnauseaum. Os artifícios, incluindo os patológicos, os descabidos e, sobretudo, os desnaturados, assaltam o dia a dia do bicho-homem, que se julga eterno, acima da Natureza, talvez um anjo decaído, provavelmente de céus imaginários, oníricos... Até quando haverá espaço real para tanta demasia, para tanta incoerência?...

              A percepção rigorosa do natural exige conhecimento e atitude cidadã, antes que a “queda do céu”, como diria o xamã Kopenawa, ocorra inapelável, antes que a noite trágica da inviabilidade

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envolva em suas sombras gélidas os vestígios das ditas civilizações... Na verdade, parece estar faltando, sobretudo, a definição, ou o conceito, do que seja efetivamente “natural”. Dizem os bons dicionários que “natural” é: da natureza, em que não há trabalho ou intervenção do homem... Natural, do Latim “naturalis”, relativo à natureza, inato. Mas os pseudo-eruditos, sempre os velhos fariseus da objetividade vazia, os negacionistas da ciência e do óbvio, tentam distorcer, desarticular, destruir... A propósito, recordo, de passagem, uma vez mais, a entrevista que concedi, em 1994, ao festejado programa “Sem Censura”, da TV-E, na qualidade de Presidente da Rio-Nat – Associação Naturista do Rio de Janeiro, especialmente sobre a prática nudista-naturista na Praia do Abricó-Grumari/RJ. Na ocasião, o folclórico comentarista esportivo, Sergio Noronha, disparatado e sem qualquer conhecimento da filosofia naturista, só falava em “defensiva”, certamente por mero cacoete, chegando a afirmar, provavelmente por analfabetismo conceitual, que “natural” era estar vestido... A Ciência, com maiúscula, a História Natural, a Biologia, sobretudo, definitivamente ignoram, e repudiam, todas as colocações disparatadas, que confundem o joio e o trigo, verdade e versão, fato e mito, tudo que só vale para edificar intolerâncias, preconceitos, pós-verdades. É tempo de mais ciência e menos crendice, menos casuísmos. Todos os seres humanos nascem inteiramente nus, conforme a natureza, sem censuras, sem oportunismos baratos, sem culpas odiosas, sem pecados inventados, sem falsos pudores. Em sua obra clássica, intitulada “A Vida na Terra, Uma História Natural”, o jornalista britânico, David Attenborough, BBC-Londres, Editora Martins Fontes/Universidade de Brasília, nos oferece, brilhante, a história do processo da vida no planeta Terra, uma narrativa didática, deliciosa, uma aula irrecusável de saber, de pesquisa, de bom senso. É importante reafirmar que o natural, do qual somos parte indissolúvel, não pode ser concretamente alienado, desnaturado... A natureza não pede sustentabilidade, mas respeito, preservação inteligente, essencial. As meias-verdades são sempre mentiras inteiras, e basta de mediocridade com ares de sentido!...

             

Dentro dessa perspectiva, aqui focalizada, é mister registrar, ainda que de forma breve, o que infelizmente prossegue ocorrendo em relação à cultura indígena no Brasil, aos nossos irmãos índios, guardiões históricos de nossas matas, de nossa biodiversidade, de nossa natureza indomável. As repetidas tentativas de invasão e exploração indevida das terras indígenas são uma chaga, uma vergonha, que afronta nossa dignidade, nossa inteligência, nossa história. A fome estúpida do ouro, o garimpo criminoso, poluidor, e todos os pretextos inventados pelo falso progresso, permanecem agredindo a Natureza, uma temeridade louca, uma aventura suicida!... A floresta viva, preservada, vale muito mais do que terras devastadas, recordemos. Quando até medalhas relativas ao mérito indigenista são doadas afoita e demagogicamente a políticos profissionais, vale registrar com destaque a atitude corajosa, edificante, do velho sertanista Sidney Possuelo, uma referência indigenista, um determinado defensor dos índios isolados, personagem central da obra consagrada de Scott Wallace intitulada “Além da Conquista”, editora Objetiva. Possuelo decidiu

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devolver a medalha por ele recebida há longo tempo, igual à medalha estranhamente concedida aos falsos amigos dos índios, aos que só querem “brincar de índio”, aos cínicos, que eventualmente até usam um cocar sem contexto, sem história, aos que, na verdade, querem a dizimação dos índios, o fim das reservas indígenas, a transformação do índio num pária da sociedade consumista, desnaturada. Possuelo, Villas-Bôas, Darcy Ribeiro, Noel Nutels, por exemplo, não podem ser menosprezados, debochados, esquecidos. As vozes índias merecem respeito!

             

Em tempo, é oportuno lembrar que, já na própria definição oficial, o Naturismo consagra o culto e o respeito pelo chamado meio ambiente, pelo natural, pela Natureza, um fundamento precioso. A ciência comprova cabalmente que não há justificativa para desmatar em benefício da produção de forma radical. No início de 2022, cresceu o sistemático desmatamento suicida, principalmente nos estados do Mato Grosso, Pará e Amazonas, uma tragédia sem fim, irracional. Não basta tirar a roupa para ser naturista... É hora de compromisso com a verdade natural!

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Sidney Possuelo, em frente ao Ministério da Justiça, antes de devolver a Medalha do Mérito Indigenista.

Fonte: conexaoplaneta.com.br em 18/03/22

Img:: arquivo pessoal

*Paulo Pereira é jornalista, biólogo e um dos precursores do Naturismo brasileiro

Abril 2022

(enviado em 28/03/22 por Paulo Pereira via e-mail)

Um Perfil: Freikörperkultur, Corpo Livre Cultuado...

Por Paulo Pereira*

Enquanto o corpo continua sendo objeto de preconceitos, pós-verdades e desinformações, o que tem promovido infindáveis polêmicas vazias, mostra-se oportuna a consideração atenta da verdade natural, da cultura do corpo livre, conforme a natureza, a nudez humana vista através do prisma da ciência, da história, sem distorções oportunistas e sem utopias neuróticas.

             

Leio, sereno e até reconfortado, matéria pertinente, divulgada pela BBC-News Brasil, sob o título de “Os alemães que venceram a queda de braço com regime comunista pelo direito de ficar nus”... Afinal, ninguém parece estar seriamente preocupado em discutir o sexo dos anjos, a pseudo-diferença, na prática e no fundamento, entre os termos “nudismo” e “naturismo”, ou ainda se casados e solteiros devem estar juntos, se a orientação sexual deve ser fator de separação, se “raça” conta, todo esse universo paranoico e descabido, que infelizmente ainda assombra muitos ilustres alienados entre nós. Até quando?...

             

É fundamental considerar os fatos em lugar das versões subjetivas, ideológicas, político-partidárias, religiosas, mercantilistas. Opinião, modo de pensar, conveniência, certamente não são ciência, história, conhecimento!... Façamos, então, breve revisita à matéria publicada pela BBC, autoria do jornalista Mike Lanchin, no programa “Witness”da BBC, focalizando essa questão inquietante da prática nudista-naturista, mesmo que centenária, afirmada, a nudez humana sempre questionada, “castigada”, mas fundamentalmente natural, longe de ser pornográfica, ofensiva... Todo homem nasce nu conforme a natureza!

             

O texto da BBC anota: “Não é de hoje que muitos alemães se despem com naturalidade em público, seja em praias, parques ou saunas espalhadas pelo país... Alguns deles são membros de um movimento naturista chamado “FKK”, Cultura do Corpo Livre, proibido durante o nazismo e que, em seguida, enfrentou desaprovação oficial nos primeiros anos do regime comunista na “Alemanha Oriental””... Os regimes totalitários, de direita e esquerda, tem sido sistematicamente pudicos, radicais, fechados à liberdade de viver, de se comportar, um alerta para os afoitos desavisados!... O jornalista Mike Lanchin ressalta que “o nudismo na Alemanha nunca foi uma coisa erótica; a nudez pública é vista como algo natural”. É oportuno enfatizar o que a matéria da BBC registra, atestando cabalmente que o nudismo-naturismo tem uma longa história, uma firme tradição, na Alemanha, onde a FKK, abreviação para Freikörperkultur, data de mais de cem anos, uma lição para os fragmentários de hoje, por exemplo, inclusive no Brasil, que vivem inventando filigranas ocas...

             

A matéria da BBC é esclarecedora, histórica, afirmativa, lúcida, e salienta pontos fundamentais: “Na virada do século XX, pairava no ar a “Lebensreform”, a Reforma da Vida, uma filosofia que defendia a alimentação orgânica, a liberação sexual, a medicina alternativa, e uma vida simples, próxima da natureza”... Essa chamada “reforma de vida” parece ser preciosa, sobretudo, nos dias atuais, enfatizemos, quando a humanidade é questionada, quando a viabilidade do ser humano na Terra está ameaçada... O artigo da BBC registra: “Na década de 1920, o Nudismo em prol da saúde e do bem-estar estava crescendo em popularidade na Alemanha, onde havia centenas de spas nudistas em todo país... No início da década de 1950, ainda era possível viajar para oeste; o Mar Báltico era realmente o balneário que a população frequentava”. É fato sabido que as lideranças comunistas tentaram de todas as formas proibir as práticas nudistas, mas acabaram se rendendo à realidade, à tradição alemã. Hoje, o comportamento nudista-naturista persiste, mas há, de fato, um pouco mais de atitudes convencionais, não tão livres, um fenômeno dos tempos nebulosos, mais artificiais, que dificultam a plena interação entre homem e natureza, infelizmente.

             

Em outra matéria publicada pela BBC-News Brasil, a Alemanha é considerada “o país que adora a nudez pública”... O texto salienta, sobretudo, a abordagem mais casual da nudez na Alemanha. O autor da matéria confessa que se acostumou, morando em Berlim, com a nudez padrão nas saunas, nas piscinas, nas sessões de massagem... A chamada “cultura do corpo livre”, é, pois, uma realidade, que nada tem de hedonismo, de exibicionismo, de ofensa. O texto referido reafirma que o Nudismo, como prática pública na Alemanha, remonta ao fim do século XIX, uma história rica, documentada, até mesmo um ato de resistência, de alívio... Em suma, a cultura do corpo livre como um contraponto à sociedade industrial, consumista, convencional, e uma busca pela comunhão com a natureza. O texto anota: “Em 1926, Alfred Koch fundou a “Escola de Nudismo de Berlim” para incentivar o exercício nudista misto, para homens e mulheres, dando continuidade à crença de que a nudez ao ar livre promove harmonia com a natureza e benefício para o bem-estar”... É importante prestigiar a história, sempre evitando meros palpites descabidos, muitas vezes tentando atribuir ao termo “nudismo” uma conotação distorcida, que não corresponde à verdade, à historicidade, e que desconhece a real identidade nua da humanidade. Modestamente, vale enfatizar a importância do conhecimento histórico, sobretudo, através inclusive de uma releitura da obra “Da Identidade Nua” (Amazon, 2021), à disposição dos estudiosos. É tempo de saber!

             

A matéria da BBC-News registra: “Na verdade, o FKK, e a tradição mais longa do Nudismo da Alemanha deixaram como legado uma tolerância generalizada em todo país para espaços de nudez pública como forma de bem-estar... O site Nacktbaden oferece uma lista bem organizada de praias e parques em toda a Alemanha onde você pode tomar sol nu”...

             

Perceber a nudez com naturalidade é tarefa essencial para promover uma qualidade de vida superlativa, sem fobias ou preconceitos irracionais. Nunca é demais lembrar as palavras do mestre Goethe: “O ser humano verdadeiro é o ser humano nu”... Precisamos cultivar essa percepção sábia, especialmente quando há tanto improviso afoito, tanta invencionice oportunista, que tem causado enganos, desconstruções.

             

Enfim, as matérias divulgadas pela BBC-News Brasil, aqui referidas, são um convite irrecusável à boa leitura, à consulta das fontes históricas, procedimento indispensável quando se busca a verdade dos fatos, longe dos meros acasos, das elucubrações vazias. Assim como é verdade que não basta tirar as roupas para ser nudista-naturista, igualmente é inaceitável cultuar uma pudicícia ideológica, anticientífica, fóbica, que tenta rejeitar o termo histórico “nudismo” com ares de erudição, certamente erudição de rodapé de página... O Nudismo-Naturismo, nascido na velha Alemanha do pioneiro Ungewitter, no início do século XX, continua vivo, sempre no prestígio da simplicidade nua, da naturalidade, da espontaneidade, uma evidência eloquente de que a Natureza soberana fala mais alto, sem pedir julgamentos, e tem sempre a última palavra. A boa prática nudista-naturista, reafirmemos, sempre esteve voltada à saúde psicofísica, buscando a integração do homem com sua raiz natural, sem pré-requisitos ideológicos, uma lição de conhecimento e de bom-senso, que não deve ser ignorada, jamais. A nudez humana pede uma percepção mais casual, mais natural, mais descontraída, menos fóbica, enferma. O verdadeiro desnudamento começa na mente, busca a serenidade da vida bem fundamentada, o existir fluindo livremente, sem amarras artificiais. O criativo bicho-homem está diante de uma encruzilhada essencial, que pode significar sua própria viabilidade existencial. Adquirir a sabedoria da escolha natural de integração homem-natureza mostra-se cada dia mais irrecusável. É preciso estar nu de corpo e alma para vislumbrar o infinito...

*Paulo Pereira é jornalista, biólogo e um dos precursores do Naturismo brasileiro

Fevereiro 2022

(enviado em 30/01/22 via WhatsApp)

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