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O corpo envergonhado: sem vergonha ou sem-vergonha

Artigo de Fabrizio Tavoni compara as expressões da língua portuguesa "sem vergonha" e "sem-vergonha", uma sem hífen e outra com hífen, e as analisa sob a luz do Naturismo.

por Fabrizio Martins Tavoni, 

Sociólogo e naturista
Imagens: Pamela Facco

Artigo publicado originalmente no portal Som de Papo na coluna da Federação Brasileira de Naturismo em 29/07/26

@fbrn_oficial

Há duas formas de dizer que uma pessoa é sem vergonha: uma sem hífen e outra com hífen. E muitos falantes da língua portuguesa cometem o descuido de usá-las como se fossem uma só. Diz-se que o naturista é sem vergonha. E a frase que muitas vezes quer ferir com o hífen acerta o alvo pela metade: acerta ao descrever, erra ao condenar. Porque há, de fato, uma vergonha que o naturista abandona junto com a roupa, mas há outra que ele leva consigo, muito mais apurada do que a maioria das pessoas vestidas consegue carregar. E entre essas duas vergonhas mora a diferença entre estar nu e ser um sem-vergonha, que a sociedade, no seu hábito de vestir tudo, inclusive os conceitos, insiste em confundir.

Ninguém nasce com vergonha do próprio corpo. A vergonha se aprende e se repete até parecer instinto. O limiar do que envergonha um corpo não é fixo, mas histórico. Desloca-se de

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O corpo exposto não é, necessariamente, o mais vulnerável. Muitas vezes, é apenas o mais hone

século em século, de sociedade em sociedade, de ambiente em ambiente. O que hoje causa rubor, num salão do século XVI seria trivial; o que ali envergonhava, hoje nem notamos. Se a vergonha tem data de nascimento, também pode ter data de revisão. O naturista não inventa um corpo sem vergonha alguma; ele revisita o contrato, questiona a cláusula e devolve ao corpo o direito de não viver um pudor que não escolheu.

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Despir-se não é abandonar o pudor. É abandonar apenas o medo de existir no próprio corpo.

É aqui que mora o nó do trocadilho. Ser sem vergonha no naturismo não é ausência de todo pudor, mas sim a suspensão de um tipo específico de vergonha: a vergonha-repressão, aquela que nasce do olhar alheio internalizado (que já tratei em outro texto aqui na coluna), do corpo como objeto a ser escondido antes de ser vivido. O naturista despe a roupa, mas não despe o cuidado. Ele troca a vergonha-prisão pela vergonha-bússola (sentido): aquilo que ainda o orienta, que ainda distingue o gesto respeitoso do gesto invasivo. Estar sem vergonha, neste sentido, é uma conquista ética, não uma ausência moral.

É neste ponto que a comunidade naturista se revela mais rigorosa que a sociedade vestida. Sabemos que toda interação social opera por regras implícitas e que o desviante mais

perigoso não é quem rompe a norma abertamente, mas quem finge segui-la para melhor violá-la. O sem-vergonha, para o naturismo, é essa figura: que tem o olhar que sexualiza onde deveria apenas estar, o que aproxima o seu corpo de outra pessoa onde deveria manter distância, o que faz um gesto que transforma o espaço de despojamento em local de assédio. A comunidade naturista não tolera o sem-vergonha: ela o expulsa com mais veemência do que a sociedade vestida expulsa o transgressor disfarçado de “cidadão de bem”.

Pense bem… Quantas vezes a roupa social (o terno, o discurso da decência, a moral pública) serve exatamente para abrigar o sem-vergonha de verdade? Aquele que, plenamente ‘vestido’, pratica o assédio, o abuso de poder, a violação de confiança, escondido atrás da própria legitimidade que a ‘roupa’ lhe confere (lobo em pele de cordeiro). Enquanto isso, o corpo nu, exposto e indefeso, é o que menos tem onde esconder uma

intenção. Há uma inversão moral que vale a pena pensar: o corpo mais vulnerável pode ser também o mais honesto, e a vestimenta mais respeitável, pode ser o esconderijo mais eficiente.

Terminamos onde começamos, mas com o sentido virado: não se trata de abolir a vergonha, mas de recolocá-la em seu lugar certo. Não como cerca que aprisiona o corpo antes mesmo dele se mover, mas como instrumento que orienta o gesto entre o que respeita e o que invade. Ser naturista é, nesse sentido, ser sem vergonha do próprio corpo e absolutamente contrário com o sem-vergonha alheio. A vergonha, purificada de sua função repressiva, sobra exatamente do tamanho necessário: pequena o bastante para não aprisionar, forte o bastante para não permitir que seja violada.

Antes de esconder o corpo dos outros, aprendemos a escondê-lo de nós mesmos.

Conheça mais sobre a Federação Brasileira de Naturismo pelo site www.fbrn.org.br.

(enviado em 1/08/26 por FBrN)

bem-estar

Naturismo e bem-estar mental: o que a ciência mostra sobre a reconexão com a natureza

Em um mundo acelerado e digital o equilíbrio emocional deve ser visto como prioridade, mas ainda é um privilégio de poucos. Enquanto a medicalização avança, uma prática antiga ganha novos contornos: o naturismo. Mais do que um estilo de vida, estar nu em harmonia com a natureza tem sido vivido por muitos como uma experiência de cuidado. E embora a ciência ainda não estude o naturismo em si, ela tem acumulado evidências robustas sobre algo adjacente: os benefícios da imersão na natureza para a saúde mental.

por Fabrizio Martins Tavoni   

(enviado em 7/07/26 por FBrN)

Naturismo: o que é e o que não é

Se você perguntar a dez pessoas o que é naturismo, provavelmente receberá dez respostas diferentes. Algumas dirão que se trata apenas de ficar nu. Outras associarão a prática à liberdade, à conexão com a natureza ou à aceitação do próprio corpo. Não é raro, porém, encontrar quem relacione o naturismo a comportamentos sexuais, troca de casais ou outras atividades que nada têm a ver com sua proposta original. Talvez por isso seja importante esclarecer uma questão fundamental: para compreender o que é naturismo, é preciso primeiro entender o que ele não é.

Por Raphael Lemos

Matéria original publicada no portal Som de Papo (somdepapo.com.br) em 8/07/2026

(enviado em 15/07/26 por FBrN)

Por que praticar nudismo?

Em ambiente como o brasileiro, em que é “óbvio” e “correto” estar-se vestido, em que a maioria sequer sabe haver nudismo como ideia, como prática, como costume difundido na Europa e no Japão; em que as pregações religiosas condenam a nudez, é importante justificar a ideia nudista.

Por Arthur Virmond de Lacerda Neto

Matéria original publicada em 22/12/25 em Dialéticos.com

(enviado em 31/05/26 por Arthur Virmond de Lacerda)

ENTRE O SAGRADO E O DESPIDO

A nudez como herança: o que os donos da terra têm a dizer ao "homem vestido"?

O dia dos Povos Indígenas é lembrado pelo articulista Nelmo José relacionando a nudez dos povos originários brasileiros com a nudez naturista.

por Nelmo José

Enviado em 18/04/26 por Nelmo José)

O paradoxo da nudez: Por que o Naturismo brasileiro não saiu da Ilha do Sol?

por Nelmo José

O Brasil é mundialmente reconhecido como o país do corpo. Dos biquínis minúsculos nas areias de Copacabana ao desfile de corpos escultóricos no Carnaval, a pele à mostra parece ser parte do nosso DNA cultural. No entanto, quando retiramos a última peça de roupa e entramos no campo do naturismo, o cenário muda drasticamente.

(enviado em 11/03/26 por Nelmo José)

BIBLIOGRAFIA DE NUDISMO

Um motivo porque o nudismo não se propaga no Brasil é carecer de evidência [1] : a ideia nudista não  circula no espírito público, não é assunto de que se fale, não é notícia nos media [2] em geral, não há movimento de opinião pública em seu favor, não é ponto de aulas do ensino médio e superior; o comum do povo e até muitos instruídos ignoram-lhe a história entre gregos, romanos, medievais e na modernidade.

por Arthur Virmond de Lacerda Neto

(enviado em 1/10/25 por Arthur Virmond de Lacerda)

(enviado em 1/10/24)

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