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Nossas primeiras impressões sobre o Naturismo

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O casal Victor e Ana, 47 e 41 anos, residentes em Joinville, no estado de Santa Catarina, tiveram sua primeira experiência no Naturismo, conhecendo a praia do Pinho um mês antes dela ter tido seu status de naturista caçado pela prefeitura de Balneário Camboriú. Concederam esta entrevista durante o último encontro da NATParaná, quando foi comemorado o 4° aniversário do grupo. Suas impressões sobre  a descoberta do Naturismo e os últimos dias da praia do Pinho como naturista estão transcritas no texto abaixo.

 

Entrevista concedida a Pedro Ribeiro

Victor começou a explanação.

 

“- Estamos começando agora no naturismo. Mas já nos sentimos órfãos. Vou contar um pouquinho de tudo como foi.

 

Eu tinha vontade de conhecer, era algo que eu queria conhecer, convidei a esposa. E um dia a esposa disse “vamos”.

 

Isso foi no dia 20 de novembro de 2025. A gente foi pra Praia do Pinho. A gente ficou na praia do Pinho. Foi durante o dia. Então passamos o dia inteiro lá. Foi bem legal.

Eu vi a surpresa da Ana, porque eu cheguei lá, Já fui tirando a roupa logo. Coloquei a cadeira, já fui tirando a roupa. Essa foi a primeira vez.”

 

Ana:

“- Minha primeira (vez), também.

 

Ele estava nervoso. Ficou nervoso, tremia, Ele não parava de tremer. Olhei prá ele e disse “vai dar tudo certo”. Ele ficou ansioso, sei lá, é uma grande expectativa.”

Victor:

“- Para o homem há alguns medos, então, medo da ereção, medo da comparação, medo de várias situações... Coisas psicológicas que a gente tem desde a infância. Eu acho que todo o homem deve sofrer isso.

 

E beleza, eu fiquei, foi passando o nervoso, fui tomando uma cervejinha, fui me acalmando.

E aquilo foi muito legal, foi muito bacana, foi uma experiência bem bacana para nós, a gente se divertiu muito naquele dia.

 

Na semana seguinte a gente resolveu ir em um outro dia da semana que houvesse menos curiosos, a gente foi numa quarta-feira. Menos de sete dias, a gente estava lá de novo,

 

Como a gente mora próximo... da portaria do Pinho até o portão da minha casa dá 102 quilômetros, a gente acabou voltando, foi muito legal.

 

Eu escutei muitas entrevistas, entrevistas suas, entrevistas da Paula, entrevista do pessoal da SPNAT, do Brasil Naturista. Tem bastante conteúdo que eu fui atrás para ver, até pra ver aonde eu estava indo, aonde eu estava levando minha esposa, que é a mãe dos meus filhos, é a minha rainha, a minha... minha deusa, né?

 

E... o que acontece? Eu vi muito (nas matérias divulgadas) que no naturismo a gente faz muitas amizades bacanas, e eu falei pra ela.

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Vista aérea da Praia do Pinho (à direita da imagem). A praia à esquerda é a praia Estaleirinho

A gente na primeira vez ficou bem perto do bombeiro (posto de Guarda-vidas). O que pra nós foi um pouco diferente, porque lá os casais costumam ficar mais perto da entrada do camping.

 

E daí, na segunda vez, não tinha tanto curioso. Tava tudo mais tranquilo, a gente foi, passou um dia muito legal, a gente já fez amizades e a gente colocou uma meta. Eu tinha colocado uma meta, Ana como sempre acabou comprando a meta que eu coloquei, que era acampar no Pinho, porque tu interages mais com as pessoas.

 

A gente foi na terceira semana, então na terceira semana a gente deve ter ido numa terça-feira

porque não dava uma semana pra gente ir e foi muito bacana, minto, foi numa quarta-feira e a gente acampou já, a gente acabou acampando. Foi muito legal. A gente conheceu um casal do Mato Grosso. Esse casal acabou virando amigo. Hoje a gente troca mensagens ali e tudo.

E... e era só a gente e eles. Tinha muito vento na praia. Então, a gente passou dois dias lá na praia. Foi muito legal.

 

Daí a gente na outra semana foi de novo. (Risos) Mais uma vez. E gostamos do resultado.

A gente já tinha amizade com todo mundo, com Alexandre, com Fábio, Álvaro com a Ivonete. Já conhecia todo mundo lá, então a gente chegava na praia eu até dizia pra ela assim,” meu. A gente chega na praia, vai cumprimentando as pessoas. “ Então a gente... Aquilo que se diz, né, quando você está despido, você está despido de tudo.

Img.: Brasil Naturista

Ontem (na sexta-feira antes do evento da NATParaná) eu vi uma frase muito legal que é a seguinte, “quando a gente está despido a gente não consegue criar máscaras”, que é o principal.

 

E, beleza, daí nós fomos no dia 19, uma sexta-feira para acampar de novo.

 

Fomos no dia 19, já estava todo aquele rolo, né? Já era em dezembro. Ficamos no camping, fizemos muitas amizades. Quando amanheceu, acordamos cedo, fomos pra praia, porque lá é um lugar legal pra tu te acordares, ir pra praia, sentir aquele ventinho da manhã, e eu digo pra todo mundo, né?

É... quando você vai, quando você sente um ventinho fresco nos lugares onde nunca sentiu,

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Imagem de um passado que talvez não volte mais.

aquilo é apaixonante, aquilo dá um outro ânimo pra gente, faz a gente acabar gostando bastante.

 

No dia 20 pela manhã, o Fabio já correu pela praia, "A guarda está por aí, a guarda está por aí, coloquem as roupas". Porque já tinha saído o decreto na noite anterior, a gente tinha lido o decreto, inclusive.

E daí eu fui procurar onde estavam meus shorts, estavam no carro, lá onde estava a guarda. Então, eu tentei me enrolar em alguma coisa, para tentar chegar no carro, pegar os shorts, tal.

 

Cheguei lá vi a guarda conversando ali na portaria. E daí, quando a guarda saiu e entrou no camping, eu fui lá perguntar o que tinha acontecido, eles disseram, “eles (a guarda municipal) vieram entregar o decreto, ainda não tem procedimento.”

 

Então voltamos a ficar peladão na praia, essa foi a situação.

 

À tarde, já começou um movimento, o pessoal do Camping não deixava mais o pessoal entrar sem roupa no camping, já tinha toda uma nova situação, a gente resolveu ir embora naquele dia, dia 20 de dezembro, que foi o último dia que a gente foi no Pinho, por isso que eu digo que a gente é órfã do pinho. A gente tem um sentimento de ter chegado atrasado numa festa e só pegar as últimas músicas, né?

 

Foi mais ou menos isso que a gente sentiu. Só a saideira. Foram sete dias, em 30 dias a gente ficou 7 dias dentro do pinho, então foi muito legal isso.

 

E a gente tinha uma curiosidade de conhecer outros lugares.”

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Ana

“- Então, fui para acompanhar ele (o Victor), né?

 

Não fui obrigada. A gente é bem parceiros, assim. E é bem claro que se algo não faz bem para um ou para o outro, a gente também não vai decidir dessa forma, né?

 

A experiência que eu tive foi tranquila, não estava ansiosa, não estava com medo, mas quando eu cheguei, não tirei a roupa. Fiquei mais... retraída, só embaixo do  guarda sol. Mas no final do dia já comecei a me sentir mais segura, mais confortável com a situação, acabei tirando a parte de cima, foi a parte de cima, né, amor?

 

E também como ele disse, depois que a gente se

Mais uma vista aérea da Praia do Pinho

adaptou à praia, e viu que era tudo tranquilo, tirando as situações dos curiosos, criamos bastante amizades, conexões legais, a gente se diverte, é um grupo, o naturismo é leve, como ele disse também, né? Enfim, me sinto bem, confortável agora, na primeira vez não tirei toda roupa, e daí nas outras vezes que a gente foi, fui me despindo e agora para mim é natural.”

Victor

“- Então sim, liberdade, eu vou contar alguns casos em que as regras fazem falta, por exemplo, no Pinho, desde que alguém instrua aquilo lá, não podia mais, que era um ambiente público que ele via, está livre para todos os públicos. Acabou atraindo curiosos. E é engraçado, a hipocrisia quando se faz isso, né Pedro, porque a mesma liberdade que eles pedem que numa praia naturista para poder ir com roupa, o inverso eles não permitem, sabe disso, então é a questão da hipocrisia, do falso moralismo, de uma prefeita, de alguns vereadores, de dizer que estavam a impedir pornografia e várias coisas que aconteciam lá.

 

E é diferente porque, como que tu vai quereres colocar moral numa cidade que é conhecida como a capital do JOB (gíria atual para mulheres e homens acompanhantes para serviço sexual) né? É hipócrita demais, não é?

 

Pedro

 

“- Isso não é de hoje, hein? A praia do pinho, é desde que a praia do Pinho foi inaugurada, Balneário Camboriú já era conhecida pela facilidade de encontrar garotas de programa, tanto que a primeira matéria feita pela revista Manchete, sobre a praia do pinho, foram contratadas garotas de programa para tirarem fotos nuas na praia.

 

Quando eu conheci a praia do Pínho que, não era fácil de chegar. Você tinha que escalar montanha, porque não tinha estrada. Então, você tinha que parar no Estaleirinho, ou na Laranjeiras (duas praias próximas). Você tinha que subir aquela montanha a pé.”

 

Victor

 

“- Eu vou dizer assim, vamos lá. As pessoas querem aquela praia. Tem a praia da esquerda, tem a praia da direita. Eu convido a conhecer as duas praias e ver como movimentadas são as duas praias, pra querer exatamente uma praia de 500 metros, ali no meio. né?

 

Então para você ver, a população que fez um abaixo assinado. Os que fizeram abaixo assinado, Pedro, eu arrisco de dizer que mais de 50% dos que fizeram abaixo assinado foram morar lá quando já existia praia do Pinho.

 

Foram morar lá sabendo que tinha aquela praia e pra eles nunca importou, mas espera, então vamos... A gente escolheu um lugar, mas daí vamos mudar o local que a gente escolheu, porque eu não gostei agora, então sim, é a hipocrisia do ser humano, né?

 

Isso é um negócio triste, eu acho bem triste, e as regras da gente... que a gente vê né, o município abandonou aquilo, as forças civis, as forças militares não deram atenção para aquilo, chegou no limite que chegou, porque falta de... Agora tem polícia, lá tem tudo, mas se tivesse colocado 10% da polícia que colocam agora, no período, não teria acontecido nada daquilo, né?

 

Então aquilo a gente vê que é claro, eu não sei se foi a prefeita que está ganhando dinheiro, não sei se são os vereadores que estão ganhando dinheiro, para que aquilo ali vire um resort, vire um condomínio fechado, que a gente sabe que vai acontecer porque é um negócio bem nítido, né?

 

É, é... Esdrúxulo aquilo, o que o travestimento daquilo de moralismo para o que eles fizeram com a situação.

 

De novo, eles tiraram liberdade, eles tiraram a questão da opção de escolha.

Ninguém cai no Pinho sem querer, quem cai no Pinho, tem a recepção lá na frente que está recebendo a pessoa, diz "Oh, é uma praia do nudismo, tal, se vai... praia de nudismo, você corre risco de ver pessoas peladas"

 

E assim, isso que a gente vê que a falta de regra faz, entendeu? Quando as pessoas tentam se meter num negócio, tentam fazer...

“- Neste meio tempo (antes de vir para a NATParaná), nós fomos à praia de Pedras Altas. A gente sabia que era bem pequena. Quando a gente chegou, nos causou uma estranheza enorme. A gente não conhecia ninguém, mas, de novo, tudo é muito simples, a vida se torna mais leve, né? Deu duas, três horas depois, a gente já estava fazendo churrasco com a galera, a gente já estava bebendo. Foi muito divertido. Nós fomos no domingo, era para voltarmos na segunda, depois era para voltarmos na terça, resultado acabamos voltando na quarta, isso porque não tínhamos mais alternativa. Se ficássemos mais um dia lá, a gente ia se prejudicar bastante.

 

Para mim é isso. Se for traduzir o Naturismo, é questão de amizade, de ter um porto seguro prá você poder chegar.

 

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A pequena praia de Pedras Altas é a única do estado de Santa Catarina que a nudez naturista é permitida.

E a AmaNAT fez um Podcast muito legal essa semana sobre essa situação da liberdade, das regras que a ANA falou, quando tem regras, tem regras, a gente veio pra cá, a gente não passou nem um constrangimento, a gente não passou, não recebemos nenhum convite diferente, daquilo que a gente veio para curtir, a gente veio pra estar um pouco livre, ficamos bem livres, mais à vontade do que a gente ficou, é impossível.

 

Eu vou falar mais assim, e de novo, as regras fazem parte para que se permita a liberdade.

 

É contraditório, mas é bem interessante isso. E se a gente fizer uma analogia daqui, com a  praia do Pinho, com Pedras Altas, por exemplo, que já tem mais regras, que o povo cuida de lá.

 

A gente vê que isso faz a diferença toda.”

(enviado em 28/01/26 por Pedro Ribeiro)

Minha Vida Naturista

Naturista amazonense, membro do Grupo Amazônico União naturista, e membro do Conselho Maior da Federação Brasileira de Naturismo para a região Norte, apresenta uma crônica inspirada sobre como se sente no Naturismo.

por Airam Barros

(enviado em 15/10/25)

Dormir nu é virtuoso. Nudez em família.

Aparentemente vai sendo comum dormir-se pelado no Brasil, o que é saudável e educador em prol da nudez natural. Quem dorme despido não carece, necessariamente, de vestir-se, ao levantar-se, para deambular pela casa, o que facilita a nudez doméstica e a normalização da nudez como liberdade e naturalidade, sem conotação negativa nem sexual. Dormir nu e manter-se assim representará, para muitos, o primeiro passo da nudez natural.

Por Arthur Virmond de Lacerda Neto

(enviado em 21/08/25)

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