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Corrida Nudista na Argentina

Por Ezequiel Brahim

para o jornal La Nacion

em 4/01/22

Em Padasjoki (Finlândia) ou Tampa (EUA), em Sesimbra (Portugal) ou em Sopelana (Espanha), na Austrália, Dinamarca, Reino Unido ou Canadá, há opções para correr nu. Mas nenhum na América do Sul além de Yatan Rumi. Poderíamos fazer uma análise muito leve da moralidade cristã das antigas colônias espanholas, mas a verdade é que o país-mãe é um dos países com as carreiras mais nudistas do planeta.

 

Alheio ao calendário esportivo mundial, o domingo chegou, eram 11 da manhã nas montanhas de Córdoba e pouco mais de 60 pessoas estavam prontas para correr, dentro de uma nuvem.

Img: Giani Rossi

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Largada da corrida de nudismo de Yatan Rumi, que se organiza desde 2005 em um campo próximo a Tanti, em Córdoba.

Talvez a natureza naquele dia tivesse modéstia, talvez fosse apenas uma coincidência, mas a verdade é que uma nuvem cobriu os mais de 1000 hectares de Yatan Rumi. Ela nem precisou descer muito, já que o campo está a 1300 metros acima do nível do mar. A verdade é que a visibilidade não ultrapassou os 20 metros. Os participantes tiveram seu número de corredor pintado em seus corpos: alguns em vermelho, outros de preto. A única coisa que podiam usar eram sapatos e corpete, caso alguma mulher quisesse. Nenhuma o usou, mas também é verdade que a grande maioria eram homens e com o número em guache negra.

"Na verdade, outros anos ficamos mais equilibrados com a cor", reconheceu Mario, surpreso. Antes de passar o pincel, sua pergunta era: "Você está tendo problemas em mostrar fotos de si mesmo nas redes sociais?" Se a resposta foi sim, ele usou a cor vermelha. Caso contrário, ele pintou de preto. A questão é um pouco desnecessária porque nenhuma rede social vai permitir a publicação de fotos com genitais femininos ou mamilos. Mas havia alguns fotógrafos para retratar o momento, e então isso seria publicado no blog de Yatan Rumi. De qualquer forma, a nuvem funcionou como um borrão natural.

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A alegria de uma participante no final da corrida.

Img: Thomas Santucho

Como foi correr pelado? A realidade é que eu já tinha experimentado isso nos dias anteriores e quase não há diferença em correr vestido. E se a sensação de contato com a natureza no meio das montanhas é muito poderosa, na linha de partida era mais em modo competitivo do que de estreia. Ele tinha vencido 50 corridas, mesmo as últimas seis antes de chegar a Tanti, e ele não queria cortar a sequência. Além disso, ele ansiava, pela primeira vez, por ganhar uma corrida nua.

Largamos. Foram 6 quilômetros para percorrer a distância competitiva (quem só queria fazer parte sem se cansar muito fez 3 km), a nuvem nos envolveu e o circuito entrou em campos sem trilhas marcadas. Às vezes nos perdemos um pouco. Éramos dezenas de pessoas nuas correndo desorientadas na neblina. Encontramos a saída na primeira volta e nos lançamos em uma estrada de terra para carros que entre subidas e descidas íamos perdendo altitude. Para quem está interessado em dados esportivos, eu cheguei a fazer um quilômetro em cerca de 3 minutos e 20 segundos. No meio da corrida eu comecei a ficar sozinho na ponta. Cheguei à última parte onde se subia o país. Meu corpo estava encharcado de

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As medalhas para os participantes.

Img: Diego Aráoz

umidade, a elevação do solo era perceptível no esgotamento do oxigênio e na minha agitação. Eu me vi ofegante, tomando banho de suor quente, pulando entre as pradarias, sem roupas, e o reflexo de centenas de ancestrais selvagens perfuraram meu corpo. Até que, finalmente, cruzei a chegada, primeiro.

 

Nu final

Como quase sempre acontece, a história mais interessante não é a do vencedor. Luis tem 61 anos. Ele correu a vida toda. "Só por prazer, mas há seis anos me inscrevi em um grupo e comecei a competir", diz. Um amigo, apelidado de "O Osso", o convidou para se inscrever na edição de 2020. Eles iam começar juntos, mas a pandemia proibiu a entrada em Córdoba e a corrida foi suspensa. "Não podíamos começar e nos restavam para ir para o próximo", lembra Luis, "mas o idiota há cinco meses deu um tiro na própria cabeça."

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"Vim buscar a experiência para contar a você que lê esta crônica, provavelmente vestido, . E descobri que por mais que escreva, a experiência há que ser vivida", disse o cronista.

"Vim correr por ele", acrescenta Luis, que chegou a competir em distâncias de 110 km nas montanhas várias vezes. "E eu coloquei que eu sou de Rafaela!", ele exige. Ele também explica: "Quando eles descobriram no meu ambiente que todos me apoiavam, eles sabem que eu sou meio louco e eu sempre costumo me sair com algo estranho. Correr vestido ou nu é quase o mesmo, só que você se sente mais livre. Eu vou ter que voltar."


"Para conhecer o nudismo você precisa ficar nu." É assim, de forma simples, que é explicado por Florencia Brener, advogada, artista plástica e, como ela mesma define, com mais de 70 anos. Também uma das fundadores da Apanna (Associação para o

Nudismo Naturista Argentino). "É um sentimento impossível de descrever em palavras. Nós fornecemos o máximo de conselhos possível, mas a experiência só pode ser pessoal."

 

Essa experiência fui buscar para contar-lhes que leem esta crónica, provavelmente vestidos. E descobri que por mais que escreva, a experiência há que vivê-la. Não achei que me sentiria tão confortável, estive vestido a vida toda. Eu não sabia como nossas roupas nos condiciona até me encontrar nu. Eu poderia continuar escrevendo conclusões por mais um tempo, mas, mais do que certezas sobre nudismo, eu prefiro deixar curiosidade.

 

Mark Twain escreveu sua encantadora obra O Diário de Adão e Eva há um século. No desfecho da história, que poderia ser essa, é mais ou menos assim: "Já muitos anos depois, expulso do Éden e perdido a graça divina, Adão afirmou: 'O paraíso era onde ela estava, nua'"

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Diego Aráoz

À direita, nosso cronista e corredor Ezequiel Brahim com seu troféu.

Os participantes são fotografados nus sem pudor.

(enviado em 17/01/22 via WhatsApp)

Um Mini Campeonato de Surf

Por Sérgio Bigarani*

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Na verdade, tudo não passou de uma brincadeira. Todos os anos viajo pra Tambaba em setembro, sempre acompanhado por amigos, para assistir e prestigiar o Campeonato de Surf Nu. Infelizmente, por conta da pandemia, por dois anos seguidos o campeonato foi cancelado, mas viajamos assim mesmo, em dezembro.

 

Ano passado (2020), após o almoço na Arca de Bilú, surgiu a ideia de improvisar um minicampeonato, entre os surfistas que estavam presentes no restaurante. Arrumamos dois árbitros e, só para animar um pouco mais, meu amigo Maurício e eu nos cotizamos para dar um pequeno prêmio para o vencedor. Foi uma brincadeira bem divertida.


Esse ano, o pessoal quis repetir a dose, e ainda contamos com a ajuda do Gê, um dos organizadores do campeonato oficial. A data, 19 de dezembro, foi escolhida de acordo com a entrada do swell em Tambaba, ou seja, no período em que as ondas seriam as melhores pra surfar. O Gê reuniu os surfistas que trabalham no restaurante mais os que estavam na praia nesse dia, e que quiseram

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A marcação da pontuação foi improvisada... na areia

participar, dividiu o pessoal em duas baterias, e o campeonato começou! Os vencedores de cada bateria disputaram a bateria final. O Marlinho (Marlison) ficou em primeiro lugar e o Ju (Douglas) em segundo. Uma brincadeira divertida, que serviu pra manter viva a chama do Campeonato de Surf Nu, que no ano de 2022 deverá retornar oficialmente e com força total! Anotem em suas agendas: dias 9 a 11 de setembro de 2022 todo mundo em Tambaba, para assistir o campeonato!!

 

Por coincidência, quando chegamos estava para acontecer, na praia, a confraternização de final do ano dos nossos queridos amigos da SONATA (Sociedade Naturista de Tambaba), que nos proporcionaram a gentil e calorosa acolhida de sempre, convidando-nos a tomar parte do evento, pelo que já começamos com pé direito a nossa agradável estada em Tambaba, praticamente concluída com o minicampeonato, com chave de ouro. Foi tudo bom demais!

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os surfistas começam a entrar na água

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E já vão pegando suas ondas com as manobras radicais

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Os vencedores, Marlinho, em primeiro (à esquerda), e Douglas, em segundo (à direita).

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os surfistas começam a entrar na água

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*Sérgio Bigarani é membro do

NIP (Naturistas do Interior Paulista)

(enviado em 23/12/21 via WhatsApp)

Corrida Nudista na Argentina

Foi realizada na província de Córdoba, na Argentina, a nova edição do Cross Nudista, na Reserva Naturista Yatan Rumi. Dia 5 de dezembro de 2021. Leia a matéria sobre este evento publicada no na página da Reserva Yatan Rumi. 

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Leia a matéria sobre esta competição que já se tornou tradicional neste ponto da Argentina, realizada desde 2005. O jornal Via País publicou um chamamento para esta competição. Leia aqui.

(enviado em 29/11/21 via Whatsapp)

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