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Pedalada Pelada Paulista 2022: volta à normalidade

Por Richard Pedicini*

Após a chuva uma centena de ciclistas se reuniram na avenida Paulista
Após a chuva uma centena de ciclistas se reuniram na avenida Paulista

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peruca neon
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No fundo o prédio da Presidência; em frente, a bunda.
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Após a chuva uma centena de ciclistas se reuniram na avenida Paulista
Após a chuva uma centena de ciclistas se reuniram na avenida Paulista

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A Pedalada Pelada aconteceu sábado à noite na Avenida Paulista. A chuva do final da tarde ameaçou o evento, mas o pavimento estava seco às 20 h quando uns cem ciclistas já tinham se reunido na Praça do Ciclista, e a temperatura estava a 22°, que nem exige roupa nem proíbe o esforço de um bom passeio de bicicleta. Durante a próxima hora o grupo ganhou adesões e perdeu vestimentas, até que este grupo heterogêneo, uns totalmente nus, muitos parcialmente, e muitos com slogans pintados nos corpos, deu três voltas à praça em aquecimento, e desceu a avenida, para depois voltar e seguir pela metrópole. Todos unidos pela causa de maior visibilidade e segurança para os ciclistas.

O evento, que aconteceu pela última vez em 2019, faz parte do movimento mundial “World Naked Bike Ride” (WNBR), destacando a fragilidade do ciclista no trânsito, e a desculpa mais comum do motorista que machuca ou mata uma ciclista, “eu não o vi”. A nudez enfatiza a fragilidade, e assegura que “agora você está me vendo.” A Pedalada Pelada segue a organização horizontal – quer dizer, sem líderes – do movimento Massa Crítica, que organiza protestos mensais de bicicleta em São Paulo. A Pedalada Pelada junta aos ciclistas o apoio de várias organizações naturistas, o mais notável este ano NatVale: uma dúzia de seus sócios viajaram três horas da Natividade da Serra, no Vale do Paraíba, para juntar sua presença ao protesto pela primeira vez. O grupo Paulinat estavam em número menor do que em eventos passados.

 

Bare as you dare
 

O WNBR usa o lema “Bare as You Dare”, não exigindo a nudez mas pedindo para participantes usassem tanto pouco quanto ousassem. Uns tiraram até o limite de segurança, montando suas bicicletas vestindo somente sapatos, capacete, e mascara N95. O limite de outros era biquínis, ou às vezes somente a parte de baixo, e cuecas, com destaque para cueca samba-canção em estampas vivas. Uma mulher chegou logo antes do protesto partir e tirou a roupa de cima até ficar de um colante vermelho “Salva Vidas”, e para completar o tema aquático, meias arrastão.

Uma jovem que participou pela primeira vez, preferiu esconder a identidade enfeitando a cabeça com uma vistosa peruca de verde néon, uma coroa de flores artificiais e uma máscara N-95, e no corpo um jaleco de lamé prateado. O conjunto parecia mais adequado para pilotar uma máquina temporal do que uma bicicleta. Ela preferiu também esconder seu nome, mas deu seu motivo de estar presente: apoiar a Massa Crítica. Moradora do centro, esta foi sua primeira Pedalada Pelada.

Bruno, de complexão parda e dreadlocks, máscara, e mochila pretas, era da Zona Norte mas agora mora no Centro. Esta foi sua primeira Pedalada Pelada, e veio, “para comemorar que estou como minha bicicleta de volta, eu estava três meses sem ela.” Veio sozinho. “Convidei meus amigos mas eles não queriam vir. Provavelmente foi vergonha.” Quase todos ainda estavam vestidos às 20 h, mas o novato Bruno foi um dos primeiros a tirar tudo. Menos a máscara. Pelado na plena Avenida Paulista, ele pareceu totalmente à vontade, e tanto adequado à paisagem quanto aos graffiti.

A dona de uma voz falando inglês com sotaque norte-americano revelou que era de Arizona, mas faz seis anos, que etsá em São Paulo.

Ana Júlia e Tomás vieram juntos e estiveram no evento pela primeira vez. Ambos costumam se locomover de bicicleta e não tem automóveis. Ana Júlia diz que apoiar sua mecânica de bicicleta foi um motivo importante de participar do evento. Tomás assegurou que pretendiam participar “semi-pelados”. Ana Júlia, ruiva, chegou usando uma camisa de listras amarelas e brancas largas, separadas por listras pretas finas. Tomás portava uma camisa com uma estampa que lembrava balões juninos sobre fundo preto, e cabelo que apesar de descolorido lembrava Harpo Marx. Quando a hora da partida se aproximava, o par manteve as máscaras N95 azuis iguais, mas Ana Júlia ficou de shorts jeans e um sutiã amarelo, e Tomás de cueca azul justa. Ambos tinham slogans pintados no corpo, e logo antes da saída, capacetes na cabeça.

O evento tinha poucas crianças, mas uma com tiara com chifres vermelhos piscantes acompanhou o pai, usando camisas do mesmo tom de azul.

Kalí, uma das primeiras mulheres a tirar a camisa, foi enfática sobre porque veio, “Para dar visibilidade para o ciclista, e deter a violência contra o ciclista no trânsito.”

 

Segurança policial, tolerância oficial
 

Outros que levaram a segurança do ciclista no trânsito a sério, pelo menos durante o protesto, foi a Polícia Militar. Viaturas e motocicletas do PM seguiram os manifestantes para manter os carros afastados. Uma espécie de bloqueio móvel seguia a manifestação a uns quarteirões de distância, desviando uns carros da avenida para evitar um excesso de movimentação, um cuidado prudente.

A Massa Critica não divulga a rota do protesto com antecedência, uma prática com raízes históricas, adotado para dificultar os esforços da polícia para interferir. Na Pedalada Pelada 2022, antes da pedalada começar, um policial filmou parte dos manifestantes com seu celular e parecia postar para mídia social. Um manifestante se aproximou ao sargento, e divulgou em voz baixo a rota que seria adotada.

A pedalada propriamente dita começou pela ciclovia oficial que há na Avenida Paulista nos dois lados da Praça do Ciclista – que não existia quando aconteceu a primeira Pedalada Pelada. Nos primeiros metros passaram abaixo das janelas do escritório paulista da Presidência da República, sem que ninguém se importasse com isso. Na hora antes que o protesto partiu, várias pessoas tiraram a roupa em plena avenida – Paulista, não Sapucaí – e ao que parece, ninguém se incomodou. Vi uma única mudança de rotina, quando um ônibus parou em frente da praça, em vez de ir até o farol fechado, para permitir o motorista ou seus passageiros mais tempo para olhar a multidão.

*Jornalista norte-americano radicado no Brasil. Colaborador do jornal OLHO NU há muitos anos.
richard.pedicini@gmail.com

(enviado em 13/03/22 via e-mail)

TOPLESS E POLÍCIA

por Fernando Antônio*

O comentário a seguir refere-se à matéria "Mulher é levada à delegacia por fazer topless" publicada abaixo desta.

No final de janeiro o país se viu envolto em uma polêmica decorrente da detenção de duas mulheres que praticavam topless em uma praia. A “operação” exigiu o aparato de alguns soldados da policia militar que as conduziram para a delegacia, onde foram algemadas pelos pés. Interessante observar que na delegacia se encontrava um homem sem camisa, mas certamente detido por outro motivo.

 

A detenção ocorreu em virtude da denuncia de pessoas que também usufruíam da praia, que ligaram indignadas para a policia, sendo prontamente atendidas, provavelmente em virtude da gravidade que o caso exigia. No imaginário destas pessoas, denunciantes e policia, a prática do topless é um grave atentado à ordem pública.

 

Num país que milhares de mulheres são violentadas a cada ano, assassinadas pelos seus parceiros e, muitas delas também, severamente atingidas pela fome e pelo desemprego, a mobilização da opinião publica se dá pela detenção de duas mulheres que praticavam topless.

 

No contexto da moralidade brasileira é perfeitamente aceito que os homens possam exibir seus mamilos em público, que a mídia e a internet sejam inundadas de imagens de mulheres nuas, ou que possam desfilar nas escolas de samba em semi-nudez.  Mas a mulher praticar topless na praia ou no quintal de sua casa (outro caso que recentemente chamou a atenção), não pode. 

 

Que país é este ? Como explicar que o topless ainda seja motivo de intervenção policial ? Por que a exposição dos seios e mamilos femininos ainda incomoda tanto ?

 

*Naturista de Sergipe, integrante da diretoria da AMANAT /BA.

(enviado em 20/02/22 via WhatsApp)

Mulher é levada à delegacia por fazer topless

O programa "Fantástico" da Rede Globo exibiu no domingo, 6 de fevereiro, matéria sobre a prisão da produtora Ana Beatriz Coelho por praticar o topless numa praia de Vila Velha, no Espírito Santo. O vídeo foi publicado por Rafael Saraiva em seu canal.

O texto em seguida conta toda a história.

Ex-namorada da atriz Camila Pitanga, Ana Beatriz Coelho foi levada para uma delegacia após fazer topless em uma praia no Espírito Santo. A artesã, que chegou a ter os pés algemados, relatou por meio da ferramenta stories do Instagram como tudo aconteceu. “O que pode acontecer com uma mulher que faz topless no Brasil?”, escreveu na publicação com uma imagem com o texto cobrindo a parte dos seios. Ela acabou sendo liberada pouco tempo depois.

 

Na sequência, Ana Beatriz divulgou uma série de fotos com os pés algemados e criticou que andar com o peito de fora é permitido para homens. “O mais irônico é que ao meu lado na delegacia tinha um homem aguardando sem camisa. Nem dentro de uma delegacia um homem precisa estar vestido”, disse a artesã. “Eu e minha amiga estamos liberadas, mas até que ponto é possível estar bem nesse país? Votem direito”, protestou.

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A ex-companheira lamentou o ocorrido e tachou o episódio o caso como "violência policial claramente motivada pelo machismo e homofobia"

Foto: reprodução

Ela também mostrou uma mensagem que recebeu com críticas à prática do topless. O recado dizia para ela fazer isso em um lugar que fosse autorizado, e que, se não estivesse satisfeita, que fosse embora do país. Na publicação, a ex-namorada de Camila Pitanga escreveu que “a violência contra nossos corpos nunca para. Mesmo em casa os ataques continuam”.

Ao jornal O Globo, Ana Beatriz Coelho narrou como foi a abordagem:

 

"Chegaram dois homens sem portar máscara corretamente, alegando que receberam denúncias de moradores da região. Estávamos [Beatriz e uma amiga] há aproximadamente três horas na praia, sem blusa. Os policiais chegaram após as 17h, quando as pessoas estavam indo embora".

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Segundo a súmula vinculante 11, o procedimento do tipo só é permitido em casos onde o detento apresente resistência ou ameaça de fuga

Foto: reprodução

E seguiu: "Solicitamos uma [agente] mulher e com ela chegaram mais uns três policiais e duas viaturas. Fomos levadas para a delegacia pelos dois homens que nos abordaram. Antes de entrar no carro perguntei à policial se ela iria com a gente e ela disse que sim, em outro carro, porém isso não aconteceu e lidamos o tempo inteiro com homens completamente despreparados", contou à publicação. 

 

As duas mulheres passaram mais de duas horas na delegacia, onde Ana Beatriz Coelho foi algemada pelos pés.

 

"Afirmaram que era um procedimento padrão; e que todas as pessoas aguardando naquela sala usam algemas. Questionamos pelo fato de não estarmos resistindo e não apresentarmos nenhum risco, ele se irritou e disse que já estava sendo legal com a gente porque só estava algemando os pés e não as mãos e os pés, como deveria fazer", relatou. 

(enviado em 01/02/22 via WhatsApp)

Homem que fez performance nu no Rio faz acordo judicial e se compromete a não aparecer pelado na cidade por 5 anos

O artista Chico Fernandes terá que pagar ainda uma multa de R$ 250.

Por G1 Rio

01/12/2021 22h24

Leia a matéria completa

em  G1 (globo.com)

Acabou com um acordo na Justiça a performance que o artista Chico Fernandes, de 37 anos, fez em março desse ano quando escalou o monumento dedicado ao General Osório, na Praça XV, no Centro do Rio, completamente nu.

 

Na época, ele foi levado para a 4ª DP, na Central do Brasil, onde assinou um termo circunstanciado por atentado ao pudor.

 

Na audiência realizada nesta quarta-feira (1º de dezembro), na 8º Juizado Especial Criminal do Rio, Chico aceitou a proposta do Ministério Público de

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Chico Fernandes durante sua performance na Praça XV

Foto: Divulgação/Cacau Catarina

pagar uma multa/transação penal no valor de R$500, que foi negociada e caiu para R$ 250.

 

“Audiência em que concordei em pagar R$ 250 e não performar nu no Rio de Janeiro por 5 anos. Poderia ter ido a julgamento e absolvido ou condenado, mas optei pelo acordo. O valor deveria ser R$ 500, mas expus que é muito. Pagarei a metade. Tenho pensado muito em questões materiais. Parcelei a escada que utilizei na performance em 6x e pedi para pagar menos à Justiça. Tenho pouco, mas tem tanta gente que tem menos neste apocalipse tropical”, escreveu Chico em uma rede social.

 

Chico Fernandes é artista performático dedicado a usar o próprio corpo nu desde 2017, ele procura fazer intervenções artísticas no contexto urbano para gerar algum tipo de reflexão crítica.

 

“Se eu estivesse em um museu, atingiria apenas um público elitizado que iria lá para ver isso. Nas ruas atinjo mais gente e produzo todo tipo de reflexão: riso, raiva, incômodo”, diz ele que contou com a ajuda do pai, o também artista Silvio Aguiar, de 68 anos, para fazer a performance de março.

 

Entre as intervenções já realizadas, Chico banhou-se na saída de esgoto do Rio Faria Timbó, em Inhaúma, saiu nu do mar do Leblon usando máscara e riscou cruzes de mortos da pandemia sob os fogos de artifícios do Complexo do Alemão durante o último Ano Novo.

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Chico Fernandes após a audiência que terminou em acordo: sem performar por cinco anos

Foto: Reprodução/Redes sociais

“O que choca mais: um homem nu usando máscara durante a pandemia ou um banhista de sunga, mas sem o EPI na praia?”, provoca.

 

A inspiração para o trabalho do "Peladão da Praça XV" ou do "Maluco da estátua" – apelidos dados ao último trabalho – vem de Aimberê Cesar, artista performático que morreu em 2016, e passa ainda pelos estudos realizados em seu doutorado sobre processos artísticos contemporâneos, sob supervisão de Ricardo Basbaum – renomado artista e crítico de arte.

 

Chico também já deu aula de arte no Rio e em Porto Alegre, de onde vem parte de sua família, mas deixou as salas de aulas para se dedicar ao doutorado.

 

"Não tem nada de loucura ali. Tudo é pensado. Desde a postura que não exiba o meu falo e não choque as pessoas, as palavras ditas e o desvio do contato visual direto com o outro para não gerar nenhum tipo de lascívia", disse.

 

Ele lembra uma nota do Ministério Público Federal, de 2017, pontuando que "a nudez de uma pessoa adulta, sem prática de ato público voltado à

satisfação da lascívia, não constitui crime no direito brasileiro".

 

Chico conta, ainda, que com a nudez no cenário urbano espera "algum tipo de reflexão das pessoas" e que o filho dele, de 6 anos, "tenha orgulho".

 

Ele acrescentou que não se importa em arriscar o próprio corpo, desde que isso resulte em arte.

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Veja algumas das intervenções artísticas de Chico Fernandes

(enviado em 3/12/21 via whatsapp)

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