top of page
opiniao.gif

Invasão de pessoas em busca de sexo fácil torna desafiadora a gestão de praias naturistas no Brasil

Fato ocorrido recentemente na praia das Dunas, em Massarandupió, levanta questões sobre futuro das praias naturistas brasileiras.

Por Pedro Ribeiro

Está longe de ter sido a primeira vez, e, com certeza, está também muito longe de ter sido a última vez que alguém é flagrado tendo relações sexuais, em público, numa praia concedida pelo poder público para a frequência de naturistas. Contudo, a ousadia e desrespeito de alguns, que insistem em se comportarem como animais no cio, podem custar o fim do Naturismo em praias públicas por todo o Brasil.

 

O Poder Público, aqui representado pelas secretarias de segurança pública municipais e estaduais, “caga e anda”, desculpe-me a expressão,  para as reivindicações e necessidades da grande maioria do povo que freqüenta as áreas naturistas. Reivindicações estas que são levadas ao próprio Poder pelos dirigentes das associações que gerenciam as praias naturistas oficiais, mas os ouvidos dele parecem estar surdos.

etienne.jpg

No dia 31 maio o presidente da AmaNAT (Associação Massarandupiana de Naturismo), Etienne Marcos, foi agredido por um homem que foi flagrado em ato sexual na parte do riacho que corre por trás da duna que separa as duas áreas naturistas geograficamente. O delinquente, na realidade, foi advertido pelo rapaz que faz fiscalização na praia, primeiramente, que sofreu ameaça de agressão. Etienne, que não estava próximo do local onde ocorreu a ilegalidade inicial, soube do fato via rádio comunicador e se dirigiu ao local, no caminho cruzou com o delinquente, que se evadia da cena do crime flagrado. Interpelado por Etienne, após breve discussão, o delinquente o esmurrou, provavelmente, com um objeto metálico, causando um ferimento feio em seu rosto, além de fazer com que ficasse desacordado por alguns minutos. Etienne foi socorrido por presentes na praia e, mais tarde, foi levado para hospital. O agressor é conhecido comerciante da região que possui uma casa de encontros sexuais para casais liberais.

 

Tanto Etienne, quanto o fiscal, estão tomando as providências cabíveis para este caso.

 

Tem sido muito comum infratores de leis e das normas naturistas, ao serem advertidos pela organização local, reagirem de forma agressiva, muitas vezes, fisicamente. Pois

eles se sentem impunes por não haver fiscalização do Poder Público.

A prática sexual em praias naturistas tem sido motivação para vereadores contrários à nossa filosofia  apresentarem projetos de lei para derrubarem a permissão para o Naturismo, sob alegação de que ele “provoca” os atos sexuais descontrolados nas pessoas.  Mas muito desconfiam que os reais motivos para os projetos proibitivos são muito mais econômicos do que morais, pois as áreas de praias naturistas despertam grande interesse imobiliário.

 

A praia do Pinho e a praia da Galheta, ambas no litoral de Santa Catarina, têm sido vítimas destes tipos de projetos de lei que querem proibir a prática nestes locais, sob a alegação de haver práticas sexuais descontroladas. Mas em vez desses legisladores pedirem o efetivo policiamento destas praias, preferem simplesmente proibir o funcionamento do Naturismo, como se Naturismo fosse sinônimo de libertinagem sexual.

 

Há alguns anos, um projeto de lei do deputado estadual Carlos Minc, do Rio de Janeiro, pediu a presença obrigatória de policiais militares em forma de plantão nas praias naturistas do estado, a pedido da associação naturista da praia do Abricó, na capital. Quando foi a plenário para discussão do projeto, alguns deputados demonstraram total preconceito com o tema e um deles chegou a  afirmar que os Naturistas estavam querendo ter policiais nas praias, porque têm fetiche por uniforme. O projeto foi engavetado. (Leia o resumo dessa excrecência em http://www.jornalolhonu.com/jornais/olhonu_n_184/luta.html.

 

O que temos, na verdade, é a invasão de grupos de tarados em busca de sexo fácil nas áreas naturistas, que se aproveitam da legislação que permite a nudez nestas praias e que se sentem cada vez mais fortes e à vontade porque há pouca ou nenhuma fiscalização, mas colocando por terra anos de lutas dos grupos pioneiros que conseguiram convencer legisladores e prefeitos a concederem decretos e leis para a prática naturista nestas áreas, contaminando a opinião pública com uma visão deturpada do Naturismo ou contribuindo para reforçar um preconceito existente.

 

Infelizmente ainda precisaremos ter muitos Etiennes que precisarão colocar, literalmente, suas caras a tapas, para manter nossa filosofia de pé, fiel aos seus princípios e cumprindo a legislação.

 

Muito obrigado aos Etiennes, Celsos, Miriams, Affonsos, Pedros, Renatas, Márcios, Roses, Marias, Alexs e a muitos outros anônimos que batem ou bateram de frente com os detratores e lutam ou lutaram de forma intensa e dedicada ao Naturismo brasileiro nas  praias.

(enviado em 6/06/24)

ecologo1.gif
Capa_Livro_Lupa_Alfarrabista_ebook.gif
blog-anuncio.gif
bottom of page