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Pedro Ribeiro, Naturismo 24 horas por dia 

Se a sua vida fosse uma partida de futebol, ele, provavelmente, chutaria a bola do meio do campo, a mataria no peito dentro da grande área, driblaria todos os adversários, chutava pro gol e ainda a defenderia ao mesmo tempo. Este é a personalidade naturista entrevistada desta edição, um homem instigante, interessante e que vive e respira o naturismo 24 horas por dia. Um ícone e um verdadeiro paladino da cultura naturista no Brasil. Seja Bem Vindo meu amigo Pedro Ribeiro

Entrevista concedida a Nelmo José

Quem é PEDRO RICARDO DE ASSIS RIBEIRO?

Sou eu... [risos].

Brincadeiras à parte, o que eu posso dizer sobre mim é o seguinte: O Pedro Ricardo é um homem tímido, porém, bem resolvido com o seu corpo, não tenho vergonha do meu corpo nu. Às vezes, estou barrigudo mais do que deveria e outras vezes, magro demais. Não importa! Sou o que sou... Um homem,  mas que conseguiu evoluir fisicamente e moralmente, através do Naturismo. Sou um cara trabalhador, atencioso (gosto muito de ouvir as pessoas) e também de dar palpite mesmo que não me peçam. Considero-me uma pessoa generosa!

 

Você faz alguma atividade física quando pode? Qual?

Sim. Faço musculação de segunda à sexta-feira e, de vem em quando, faço caminhada.

 

Você tem algum hobby que não abre mão de jeito nenhum?Eu adoro ir ao cinema, teatro, ver televisão... Eu gosto muito de assistir aqueles seriados antigos de TV, do tipo "A Feiticeira", "Jeannie, é um Gênio", " Terra de Gigantes", "Perdidos no

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espaço", "Zorro", "Batman" e tantos outros... disso, eu, realmente, não abro mão, não! Televisão é meu passatempo preferido.

 

Você acredita em Deus?

Não, eu não acredito em Deus. E também não tenho nenhum tipo de segmento de crença em alguma coisa. Mas, respeito quem acredita. Mas, eu, pessoalmente, não acredito.

 

Se você não acredita em Deus, então, qual é a sua motivação, o que lhe faz pular da cama todos os dias?

O que me faz pular da cama todos os dias, é eu estar vivo e com saúde. É isso aí que importa pra mim! É estar vivo e com saúde e sempre trabalhando...

Quando criança você sonhava em ser o que é hoje?

Quando nós somos crianças, temos muitas ilusões, muitos sonhos sobre o futuro. Como toda criança, eu sonhava em ser tantas coisas, mas, nunca imaginei em ser o que sou hoje.

Eu sempre tive a tendência para as artes plásticas, eu gostava muito de desenhar e sonhava em ser um grande desenhista. Também sempre gostei de cantar, o que me levou a cantar em corais, desde meus 14 anos até hoje. Mas, nem sempre, as coisas saem como a gente espera. E, em algum momento da minha vida, tomou um rumo diferente e o sonho de criança, acabou se perdendo... O tempo passou e eu me transformei em outra coisa um tanto diferente do que imaginava. Acabei fazendo faculdade de matemática, inicialmente, começando minha carreira de professor desta forma. Depois concluí o curso de licenciatura em Educação Artística e acabei trabalhando também como professor de artes. Exerci o magistério, por mais de 40 anos. Mas, o desejo de criança, em ser um grande artista, ainda está latente, mas o tempo para me dedicar a essa atividade é escasso, graças ao Naturismo que me ocupa quase integralmente. Às vezes, a vida prega umas peças na gente. É como o poeta diz: "deixa a vida me levar..." E a vida me levou por este caminho...

 

Conte um fato Marcante da sua infância.

De modo geral, eu tive uma infância muito tranquila, não teve nada de extraordinário. A não ser o quintal gigantesco da casa em que eu morava. Ali era o meu mundo, cabia de tudo ali...  Dentro daquele quintal, eu e os meus amiguinhos, tínhamos aventuras fantásticas,  brincávamos  de Tarzan, de pirata, de pique-esconde e de tudo mais que ousasse a imaginação.

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Qual é a sua formação acadêmica?

Fui professor de matemática e de Educação Artística, com especialização em desenho. Sou Mestre em Educação, com especialização em Administração educacional

 

Qual é a sua idade? Você é aposentado?

Tenho 65 anos. Estou prestes a fazer 66 anos. Faço aniversário no dia 24 de Abril. [risos]

Sim, sou aposentado! Já tem uns... acredito que... (Nossa, incrível, mas, quando a gente está aposentado, a gente perde a noção do tempo, né!?) [risos]. Mas, eu acho que já têm uns cinco ou seis anos que eu sou aposentado! Me aposentei no finalzinho de 2018...

 

Você se importa de falar da sua vida privada?  Tem filhos? É ou foi casado?

Eu não gosto de falar sobre a minha vida particular. Mas, quem está na chuva é para se molhar, né!? Nunca fui casado e nunca tive filhos. Já tive alguns relacionamentos pouco duradouros. Mas, não considero que isso tenha sido um casamento.

DESCOBERTA DO NATURISMO

Conte-me, como você se tornou um naturista?

Eu me tornei um naturista assim... no início da década de 70, eu, já adolescente, com os meus 13 ou 14 anos. “Fuxicando" nas  coisas do meu irmão mais velho, como todo bom adolescente que se preze, descobri uma revista em inglês que mostrava fotos que me fascinaram, com velhos, jovens e crianças, vivendo em total harmonia, totalmente nus. Achei estanho e encantador ao mesmo tempo. Porque as pessoas que foram retratadas estavam fazendo atividades normais do cotidiano, como se estivessem vestidas, sem nenhuma pose, nada! Agiam de modo natural. Aquilo, me despertou um fascínio tão grande que eu fiquei alucinado. Confesso que passou pela minha cabeça, daquilo não ser real. Mas, a curiosidade foi tanta que eu não largava aquela revista. E aos poucos, vim a entender que aquilo se tratava de uma nova modalidade de vida (pelo menos pra mim). E eu, com os meus 14 anos já me identificava com o que vi nas fotos. Afinal, eu sempre quis viver sem roupas. Então, com muito esforço e a ajuda de um dicionário de inglês, descobri que aquelas pessoas eram denominadas de Naturistas. O que me remeteu à lembrança de uma mulher que se chamava Luz Del Fuego, uma atriz brasileira, que também gostava de ficar pelada e que também era chamada de Naturista! Mas, Luz Del Fuego, não tinha despertado tanto o meu interesse como  as pessoas nuas da revista. (e também , quando Luz morreu eu tinha 8 anos de idade) E sem me dar conta, foi ali, naquele momento que eu descobri a minha essência naturista. Os meus olhos brilharam. Mas somente muitos anos depois entendi que eu era e ainda sou um naturista de alma .

 

E até então, você nunca havia ficado pelado em público, né!? Quando foi a primeira vez que você ficou nu em público?

Tudo que contei acima ocorreu durante minha adolescência, entre 14 e 20 anos. Havia dificuldade por ser muito jovem e também dificuldade de falar abertamente sobre o assunto, porque estávamos em plena ditadura militar, quando a  censura sobre os costumes era fortíssima (estamos voltando a isso, hoje em dia?...) e a nudez em revista era considerada pornografia. Nudez pública era caso de prisão e tortura porque tudo que fugisse ao padrão vigente era considerado comunista. Alem disso, naquela época, minha família era de poucos recursos financeiros, o que me impedia de sonhar mais alto, como uma viagem para cantões do Brasil e do exterior. Estava totalmente fora de cogitação. Mas eu falava com amigos e parentes mais próximos sobre meus desejos que “precisavam estar ocultos”. Até que meu outro irmão, também mais velho, me disse que no Brasil, tinha uma praia, que chamava Trancoso... e que as pessoas podiam ficar peladas lá...

E então... foi em Trancoso que você ficou nu em público pela primeira vez?

Não! Trancoso é muito bonito, um verdadeiro paraíso, mas, não foi lá, não! Demorou um pouquinho eu ficar pelado em público. Eu tinha cerca de 18 anos e o dinheiro era muito escasso para realizar esta aventura. Eu só vim ficar nu em público pela primeira vez, anos depois, em 1985, quando descobri a Praia do Abricó aqui no Rio de Janeiro! Mas naquela época, a praia de Abricó, não era uma praia oficial de naturismo. Era simplesmente, uma praia aonde as pessoas mais ousadas (digamos assim), iam pra lá, tomar um banho de mar, peladas. Eu, inclusive, fui detido várias vezes pela polícia, por está pelado na praia.

Mas, em 1987, com um pouco mais de grana, viajei para Europa, aí sim, eu fiquei nu pela primeira vez, numa praia naturista oficial, na Holanda.

 

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Nossa, que bacana! Pedro, o que mais te fascina em viver num mundo sem roupa?

Ah, o que mais me fascina em viver num mundo sem roupa!? Na verdade, isso não existe... Porque a gente não vive no mundo sem roupa. A gente, na verdade, vive momentos sem roupa, que é diferente! Mas, o que mais me fascina viver sem roupa é a sensação da liberdade, é a sensação de estar completamente à vontade com você mesmo! Pra mim, esse é o grande  fascínio do Naturismo.

VIVÊNCIA NATURISTA

Você tem algum lugar naturista que você conheceu que te surpreendeu de maneira positiva ou negativa?

Vou citar dois lugares...

 

Aqui no Brasil, foi a Colina do Sol, tanto na sua organização interna, como na sua infra-estrutura. Mas isso, foi há muitos anos atrás. Naquela época, fiquei fascinado com a proximidade da realidade ali na Colina, com aquilo que eu via (agora, mais frequentemente) nas revistas naturistas importadas, que agora não eram mais proibidas no país. E o outro é Koversada na Croácia, que é um resort naturista fenomenal. Famílias inteiras moram lá... Diante da realidade de cada país, cada um desses dois lugares, têm as suas

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suas particularidades e esses dois empreendimentos naturistas me surpreenderam bastante e positivamente.

Agora quanto aos outros que me surpreenderam negativamente, eu prefiro não comentar, para não magoar ninguém, certo!?

 

Entendi. Pedro, qual foi a sua melhor e a pior lembrança no naturismo?

A melhor foi quando eu estive na Holanda em 1987. E fui visitar uma praia naturista, que fica a poucos minutos do centro comercial de Zandvoort, talvez uns 300 ou 500 metros da estação de trem. A praia é central, mesmo! É uma praia Naturista, exatamente, como eu sempre sonhei! Lindíssima!!! Limpíssima!!! A praia estava lotada de naturistas e de todas as idades, jovens, velhos e crianças. Eu Achei Aquilo Fantástico! Não havia cercas ou qualquer outro tipo de divisão, apenas uma "plaquinha" dizendo que a partir daquele ponto, você poderia encontrar pessoas nuas! Você chegava na praia, tirava a roupa e pronto! Pra mim, esse foi o meu primeiro grande momento, ou a minha melhor lembrança do Naturismo. Afinal, com se diz por aí, da primeira vez a gente nunca se esquece

 

E a pior lembrança, foi quando eu era presidente da FBrN, e um político que nos apoiava na doação de um terreno para a federação, foi preso por corrupção. Que tristeza! Eu estava apostando todas as minhas fichas nesse cidadão, e de uma hora para outra tudo desmorona, tudo volta a estaca zero. Foi decepcionante. Foi o pior momento que eu vivi dentro do Naturismo.

Que barra, hein!? Pedro, o quê o Naturismo trouxe de bom para você?

Bom, o Naturismo trouxe muita coisa boa pra minha vida. Foi a perda de parte da minha timidez, por exemplo. Porque eu era uma pessoa muito tímida, tá!  E essa timidez, me prejudicava em vários aspectos. Mas, à medida que eu me envolvia com o Naturismo, a timidez, foi diminuindo... Pra você ter uma ideia, teve uma época que eu tinha vergonha até de tirar a camisa em público!

No entanto, quando eu era criança, eu gostava de viver pelado! É interessante isso, né!? A minha mãe sempre falava: "Qualquer coisinha, esse menino tira a roupa tudo e fica pelado!" [risos]

Acho que era o trauma da adolescência, né!? Mudança de voz, de comportamento, etc... pêlos nascendo aonde a gente nem imaginava etc... Eu fui ficando envergonhado e pronto! Foi o Naturismo que fez perder toda essa timidez. E aos poucos eu fui conseguindo me assumir publicamente como naturista perante os amigos, toda a minha família e no meu trabalho... O Naturismo serviu pra eu ser menos tímido! Mas, não muito... porque eu ainda sou muito tímido! [risos]

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De que você tem mais medo?

Do que eu tenho mais medo? Hummm... não sei dizer, não! Vou ficar te devendo essa resposta... [risos]

 

Quais são os seus pontos fracos e os seus pontos fortes?

Bom, eu considero um dos meus pontos mais fracos é a teimosia. Sou um cara muito teimoso! E em determinados momentos, eu acabo me queimando com as pessoas por questões de opinião diferente e acabar demorando eu perceber que, aquilo que eu tava julgando ser o correto, na verdade, estava errado ou não era bem assim como eu defendia...

Por outro lado, eu me vejo como um cara bastante persistente,  certo!? É como se fossem os dois lados da mesma moeda. A teimosia é o meu lado fraco e a persistência o meu lado forte.

FILOSOFIA E PRÁTICA NATURISTA

Existe uma linha muito tênue entre a nudez social e a promiscuidade. Afinal, ficar pelado em público não é uma prática muito comum. E muitos ainda encaram a nudez somente para o ato sexual. Como você vê isso?

A nudez social, encarada como Naturismo, nada tem a ver com sexo. Assim como a promiscuidade é promiscuidade! Você pode ser promíscuo, sem estar nu e vice-versa! Pra mim, são duas coisas completamente diferentes. Sinceramente, eu não vejo nenhuma linha tênue entre esses dois pólos.

 

Filosofia ou práticas comerciais naturistas. O quê você prefere?

Eu prefiro os dois. As práticas comerciais naturistas abrangem hospedagem, compras diversas, taxas de utilização e manutenção das instalações etc... como em qualquer estabelecimento comercial que existe. Mas a filosofia naturista tem que ser imposta e respeitada integralmente, sem concessões. Agora, qualquer outra coisa fora disso, não é naturista!

"Ah, eu vou fechar, porque não tá dando lucro e eu quero ter lucro!"

Ou então, "Vou abrir para o pessoal para fazer sexo aqui...". Isso, deixa de ser um estabelecimento comercial naturista e passa a ser uma situação de exploração sexual que a gente conhece desde dos primórdios da humanidade, dos bordéis etc...

 

Naturismo ou Liberalismo, defina essas duas vertentes.

Essa palavra liberalismo, para mim, é uma palavra nova. Até então, liberalismo era uma coisa ligada a política. Mas, a ideia que essa palavra passa quando ela é usada, é que Liberalismo, acabou ganhando uma conotação sexual. O que vem do desejo de utilizar técnicas ilícitas ou promíscuas para obter alguma vantagem sobre outrem, na realização do prazer sexual, como falei antes. Agora, o Naturismo, é o avesso, é a plena harmonia entre pessoas igualmente nuas, juntos à natureza.

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LUTA POLÍTICA PELO NATURISMO

A sua militância em prol do naturismo brasileiro é realmente algo admirável! Como você se tornou esse defensor ferrenho das causas naturistas?

Eu não concordava com o “apartheid” naturista impostas pelas regras éticas de convivência,   de 88, na fundação da FBrN. A separação de casais heterossexuais de homens solteiros ou desacompanhados de mulher, me deixava um tanto quanto injuriado. Porquê não juntos e misturados? Por que eu tinha que provar pra todo mundo, que eu era mais naturista do que um casal?  Só porque eu estava desacompanhado? O que justificava que homens e mulheres, especialmente homens sozinhos, não podiam frequentar o mesmo espaço naturista de um casal? Isso não entrava na minha cabeça. Eu tinha que fazer alguma coisa. "Aí, tem swing!"__pensei.

Em 1992, fiz um abaixo-assinado recolhendo mais de 3.000 assinaturas requerendo a oficialização da praia de Abricó como local de naturismo no Rio de Janeiro, pois achava que já havia passado da hora da cidade do Rio de Janeiro também ter uma praia naturista, já que estavam sendo várias inauguradas no Brasil: Pinho, Tambaba, inclusive aqui no estado do Rio de Janeiro, como Olho de Boi, em Búzios e praia Brava, em Cabo Frio. Mas eu desejava uma praia que não tivesse estas regras separatistas, para que eu e assim como outros homens e mulheres solteiros, pudéssemos aderir e curtir o Naturismo de forma justa e harmoniosa.

 

Junto, com essas três mil assinaturas (olha que naquele tempo, não existia internet. Eu e meus amigos que colaboraram no recolhimento tivemos que falar pessoalmente, com cada assinante e explicar o nosso propósito). Depois, fiz um ofício e encaminhei diretamente ao prefeito do Rio de Janeiro, da época, era o César Maia. Mas, infelizmente, eu fui impedido de entregar esse ofício pessoalmente a ele, por sua assessora na época, a ex-atriz da rede Globo, Neuza Amaral que disse que: "O prefeito não irá se preocupar com assuntos dessa insignificância. Visto que ele tem assuntos mais importantes para resolver."

Pois bem, não desisti! E depois de muitos “corre prá lá, corre prá cá”, finalmente em 30 de novembro 1994, o secretário do meio-ambiente do município do Rio de Janeiro assinou o  decreto, ou melhor, uma Resolução que liberava o nudismo na praia de Abricó. Mas, infelizmente, o que era bom, durou pouco! Essa resolução foi contestada e derrubada por uma liminar judicial... Essa resolução, só durou 7 dias. E aí sim, eu considero que começou minha militância a partir daí... vieram lutas e mais lutas!

Você é um dos autores da lei "Gabeira", que elevou a praia de Abricó ao status de praia naturista. Como e quando isso aconteceu?

Não posso afirmar que eu tenha sido um dos autores da "Lei Gabeira". Fui, sim, um dos idealizadores e que tive a inciativa de procurar o então deputado federal Fernando Gabeira.

 

A "lei Gabeira", não elevou a Praia do Abricó ao status de praia naturista. Ela já era uma praia naturista antes. O que aconteceu que eu estava muito frustrado com o tempo curto de duração da autorização da praia de Abricó para a prática naturista. E eu achei que uma lei federal, resolveria tudo. A "lei Gabeira" (do ex-deputado federal, Fernando Gabeira),  estipulava que os municípios, estados e a união poderiam determinar áreas públicas para a prática do Naturismo em todo território nacional. Eu acreditava que desta forma a proibição para a praia do Abricó poderia ser revertida. A lei foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas ignorada no Senado, o que fez com que ela perdesse a validade.

 

O que é Anabricó? Há quanto tempo a Anabricó existe?

Anabricó é a sigla Associação Naturista de Abricó. Eu criei a

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associação em 2001, quando a Liminar que proibia a prática do naturismo na praia do abricó foi derrubada e voltou a valer a resolução de 1994.

O poder público, é muito omisso com o naturista. Somos a minoria da minoria. Infelizmente, não somos uma parcela representativa da sociedade e que não tem qualquer peso de votos. Por isso, somos completamente ignorados pelo pessoal de Brasília. Você acha possível ter uma legislação voltada especificamente para atender as necessidades do naturista brasileiro? O que falta pra isso acontecer? O quê você sugere?

Claro que sim. Só o fato de existirem leis que determinassem locais para a prática Naturista já atenderia, uma grande parte de nossas demandas. Precisamos de mais áreas destinadas ao Naturismo que tenham normas de convivência estabelecidas como a nudez obrigatória ou facultativa. Obrigatoriedade das normas éticas do Naturismo a todos os frequentadores, independente de serem ou não naturistas. A fiscalização permanente pelo poder público para coibir abusos de qualquer natureza. Estas são algumas das ideias que eu sugiro e que poderia haver uma legislação nacional a respeito.

MOMENTOS FRENTE À FBrN

Você foi presidente da FBrN por dois mandatos e meio. Qual foi o seu maior desafio na frente dessa instituição?

É, realmente, eu fui presidente da Federação Brasileira de Naturismo - FBrN, por dois mandatos e meio, ou seja, no total não cinco anos. Eu fui vice-presidente da Federação, na gestão da Renata Freire e, por questões de saúde, ela não conseguiu completar o mandato e eu assumi o ano que restava. Depois, eu me candidatei e venci por duas vezes consecutivamente as eleições seguintes, totalizando cinco anos. O maior desafio que eu enfrentei durante a minha gestão, foi realmente consolidar o Naturismo perante a sociedade têxtil, e mostrar que o Naturismo é uma coisa boa, respeitoso e porque não dizer também lucrativo. Ou seja, fazer com que as pessoas aceitassem o Naturismo de maneira espontânea e sem nenhum tipo de preconceito, certo!?

 

Um outro desafio, foi tentar legalizar uma doação de um terreno à FBrN, na praia de Tambaba, instituído pelo próprio governo da Paraíba, para a utilização do Naturismo. Mas, eu não consegui. E até hoje tem um monte de brigas... um monte de problemas... e continua sendo o maior desafio até hoje, a sua regulamentação.

 

Você se candidataria à presidência da FBrN outra vez? Por quê?

Não. Eu não me candidataria novamente a presidência da FBrN, porque eu acredito que em qualquer setor administrativo, seja público ou privado, sempre tem que haver renovação. Acredito que sempre tem gente mais jovem, certamente com menos experiência, mas, com vontade e garra  pra poder fazer um bom trabalho. Então, eu não me candidataria novamente!

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PROJETO JORNAL OLHO NU

Pedro, você é um homem multifacetado, e em meio a todo esse turbilhão de emoções que é a sua vida, você teve tempo de parar e criar um jornal com uma temática nudista. Vamos falar do Jornal Olho Nu - (ou JON, chamado assim, internamente)

Eu criei o Jornal Olho Nu, porque eu sentia necessidade de fornecer informações a respeito do Naturismo de forma mais rápida, mais recentes, mais seguras e com maior credibilidade,  para o naturista brasileiro. O JON é datado de 1° de Agosto de 2000, portanto, irá completar 24 anos em breve. Já passamos por "poucas e boas!" Recentemente, o JON evoluiu, e eu abri uma nova modalidade para dar mais informações sobre o naturismo, que é o blog do JON. Mantendo as mesmas características do jornal. O blog contém algumas matérias inéditas e fotos exclusivas para os assinantes, que também podem rever reportagens mais antigas. Bom, até agora, poucas pessoas são assinantes. Algumas pessoas pensam que, como

é cobrado à parte, se tratam de matérias eróticas ou pornográficas, mas não é. E muitos assinam com esta ideia, se decepcionam e cancelam a assinatura. Mas, é assim mesmo, no Naturismo a gente tem que matar um leão por dia para sobreviver. E incutir na sociedade, cada vez mais conservadora,  que Naturismo e Informação de qualidade andam juntas, é muito difícil. Infelizmente, o brasileiro é um povo que não tem o hábito da leitura e por mais que a gente se esforce tentando prestar um bom serviço, sério e de qualidade, o reconhecimento é algo que chega a passos extremamente lentos. Mas, como eu já estou acostumado com essa situação, a luta segue! Afinal eu sou teimoso.

O quê te deixa mais feliz, ser presidente de associações Naturistas ou estar à frente de um jornal, como editor chefe?

De maneira geral, o que me deixa mais feliz, é o Naturismo! Então, não faz muita diferença se eu sou presidente da associação ou se eu faço um jornal. Mas, sinceramente, fazer o jornal, está sendo muito mais prazeroso do que estar à frente de uma associação. Quando eu faço o jornal, eu tenho que ficar atento 24 horas por dia praticamente para toda e qualquer notícia referente ao Naturismo, que acontece no Brasil e no mundo. Eu estou sempre lendo, sempre escrevendo, sempre corrigindo e sempre vendo alguma coisa, sobre o Naturismo.

 E isso, pra mim, é muito gostoso! Agora, quanto à presidência de Associação Naturista, ela também é muito boa, me dá  muito trabalho, porém é bom ver o trabalho realizado e as pessoas satisfeitas ou dando feed-back positivo. O trabalho, no entanto, fica restrito a apenas algumas determinadas horas do dia ou nos finais de semana. Então, é assim... Acho que o Jornal me deixa um pouco mais feliz!

NATURISMO: PASSADO E PRESENTE

 

Então... considerando  a  fundação da Ilha do Sol, em 1952, como o marco do início do naturismo oficial no Brasil, já temos mais de 70 anos, embora, tenham ocorridos movimentos anteriores a essa data. No quê você acha que o Brasil evoluiu nessas 7 décadas?

Muita coisa... muita coisa... Antigamente, o Naturismo no Brasil era restrito, só ao que acontecia na Ilha do Sol e no Rio de Janeiro. Raramente, aparecia uma coisa ali e outra aqui... Depois da revolução de 64, com o golpe militar e da morte de Luz Del Fuego em 1967, tudo passou a ser proibido. Tudo era considerado imoral! O Naturismo então, nem se fala. O Naturismo caiu no ostracismo, e a situação, só veio melhorar, anos depois, somente na redemocratização do Brasil, em 1985.

 

O NATURISMO em particular, só voltou à cena, quando se deu aquela famosa reportagem produzida pela Revista Manchete, sobre a praia do Pinho, que se diga de passagem, foi uma armação. Usando o linguajar mais moderno, foi uma fake news. Porque a revista contratou algumas prostitutas de Balneário Camboriú, para se passarem por naturistas e andarem nuas pela praia. Mas isso só se soube muitos anos depois da publicação. Naquele momento a matéria teve uma incrível repercussão que levou mais pessoas a procurarem a praia para a prática do nudismo. Desta forma a revista pediu novas matérias ao jornalista, três anos depois. E aí, sim... o Naturismo teve um grande impulso. Mas, de modo geral, apesar dos altos e baixos do Naturismo brasileiro, nós tivemos uma evolução fantástica! Pra você ter uma ideia, Nelmo, o Brasil é o pais da América

Latina, que tem o melhor desenvolvimento naturista. O Brasil, só fica atrás de alguns países da Europa. Mas, só que lá na Europa, o Naturismo está a anos luz na nossa frente e é visto de modo totalmente diferente de como o brasileiro enxerga a nudez coletiva. Embora, os nossos indígenas, andassem nus, havia séculos, ainda hoje, o brasileiro contemporâneo, tem uma concepção totalmente errônea do que é estar nu em público em grupo. Temos muitas questões a serem resolvidas, muita coisa a ser feita. Mas, de modo geral, o Brasil está na frente de vários outros países. A gente só tem que respeitar, admirar e agradecer todo o esforço dos nossos pioneiros nudistas que nos trouxeram até aqui!

Você tem algum fato engraçado que pode contar?

Fato engraçado? Hummm... Deixa eu vê! Fato engraçado! Não me lembro...

 

Ah, peraí, lembrei. Não sei se foi exatamente engraçado, mas na época foi muito dolorido. "Certa ocasião, um grupo de amigos organizamos uma excursão para conhecer Trindade, distrito de Parati, onde sabíamos que havia uma praia oficial de Naturismo, a praia da Figueira, hoje já extinta e a praia Brava, que não era oficial (e não é até hoje). Esta última é uma praia muito bonita, mas com acesso por uma trilha longa, mas de dificuldade média, com uma bonita cachoeira que deságua praticamente no mar. Éramos cerca de vinte pessoas, entre homens e mulheres. Estava eu curtindo a areia da praia tranquilamente, quando vi um inseto consideravelmente  grande voando em minha direção. Tentei espantá-lo, mas ele cravou direto no meu pênis, que  inchou na hora. Na verdade nunca tinha visto meu pênis tão vistoso e grosso, mas, como a dor era insuportável, não deu nem para curtir. Na hora não quis rir nem um pouco, mas hoje em dia acho cômica a minha falta de sorte. Foi uma história totalmente atípica."Não me esqueço até hoje. Kkkk...

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Estamos quase encerrando esse nosso bate-papo. O que você gostaria de dizer, que eu ainda não te perguntei?

Uma coisa que você não me perguntou,  mas eu vou falar aqui, qual foi a minha maior frustração, quando eu presidia a Federação Brasileira de Naturismo – FBrN. Foi não ter conseguido legalizar um terreno doado para Federação e fazer realizar o sonho de construir ali, uma sede própria. A ideia seria  construir um hotel para com vários categorias de hospedagem e camping, nesse terreno lá na praia de Tambaba. E promover cursos profissionalizantes para o incremento do turismo na região, palestras sobre o Naturismo, tudo para a comunidade local, entende?  Este era o meu pensamento. Mas, infelizmente, as coisas não aconteceram como eu Imaginava. E até hoje ninguém conseguiu resolver esse assunto. Essa é a minha maior frustração em relação ao Naturismo, principalmente por ter sido um episódio que se deu na minha gestão como presidente e também pelo fato de não ter conseguido realizá-lo.

 

Quais são as redes sociais, para que o pessoal possa te seguir?

Tenho duas contas no Facebook , mas nem adianta me seguir porque não posto nada nelas há muitos anos e eu mesmo não as sigo.

facebook.com/pedro.ribeiro e facebook.com/pedroricardo.

E no Instagram só criei conta para poder seguir outras pessoas. Também não posto nada. É

contato@rickdeassis.com.br

 

Qual é a mensagem que deixa pra todos os naturistas que estão lendo essa entrevista?

Independente que seja naturista ou não, eu quero dizer que todas as pessoas devem ter em sua mente, honestidade, a generosidade, e evitar muitas coisas desnecessárias, que possam nos magoar mesmo e às outras pessoas também. O que importa sempre é isso... é a gente esteja de bem conosco mesmo e se for naturista muito melhor ainda! Aí sim, você vai ter essa sensação de integração de felicidade completa. Então, eu recomendo a todos, NATURISMO NA VIDA É MEDIDA CERTA!

 

Obrigado meu querido amigo Pedro, foi uma grande honra estar ao seu lado e saber um pouco de sua brilhante e inigualável trajetória. Quando eu crescer, quero ser igual a você. Obrigado pela sua luta e pelo norte que aponta, nos indicando sempre o tão sonhado e esperado paraíso de Adão e Eva

SALVE O NATURISMO BRASILEIRO! 🇧🇷


Nelmo José
Divinópolis/MG

(enviado em 1/04/2024)

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