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Conforme a Natureza Indomável

Por Paulo Pereira
Junho 2024

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Vivemos uma febre ambientalista, extremos climáticos, sustentabilidades, desastres naturais, mas a Mãe-Natureza é vista e tratada como supermercado, como objeto, apartada do bicho-homem super-poderoso, anjo decaído do paraíso, delirante, cruel, megalomaníaco, mas finito, o "macaco nu", o primata paradoxal, a grande utopia, mistura de lenda e de sonho louco... Nascido nu, pois a Natureza não veste ninguém, faz da nudez um tabu, mas tem fascínio por ela, do berço ao túmulo, finalmente, nu até os ossos, ou até as cinzas, talvez uma poeira de pequenas estrelas distantes... Até quando viverá de fantasias inaturais, de violência gratuita, de crueldade sem limites, de pseudo-ciência?... O tagarela bicho-homem, meio suicida, corre o risco efetivo de tornar-se inviável como espécie biológica a médio ou longo prazos, mesmo se multiplicando como ratos...

Na qualidade de biólogo e naturista, recorro às observações do xamã Ailton Krenak (Academia Brasileira de Letras), sábio índio filho das selvas, mestre entre as "Vozes Índias", como anotei no livro publicado pela Amazon (2023)...

Devemos perceber, afinal, que nem tudo se transforma em mercadoria! Como nos diz Krenak, "A vida não é útil"... Basta de mente pervertida, de estupidez anticientífica, de eterno improviso, de falta de seriedade! A tal "sustentabilidade" virou moda, e exige reformulação urgente de definição e conceito, longe de ser panaceia, uma pós-verdade, que tenta, mesmo sem intenção, substituir a "integração", a "inclusão", por exemplo... Não encontrado em nenhum compêndio idôneo de Ecologia, de Biologia, no geral, o termo "sustentabilidade" pretende justificar quase tudo, até a própria Natureza indomável! Delírio de analfabetismo difuso, de cegueira intelectual, de oportunismo barato... Palpite não é Ciência! Os meios quase nunca (?!) justificam os fins, ignorância não é virtude!


Encontro nos meus alfarrábios a obra de Gambini sobre nossos índios, em inglês qualificado, numa edição caprichosa, sob o título sugestivo de "Indian Mirror - The Making of the Brazilian Soul", Ed. Axis Mundi-Terceiro Nome, um texto pesquisado, talentoso, que novamente lança luzes claras sobre a cultura e a sabedoria dos índios, donos da Terra Brasis, afinal... Mas a alma brasileira está violentada, menosprezada, pois a dignidade indígena (na sua nudez e liberdade) está agredida, ignorada,

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ignorada, usada como moeda de troca, fantasia de carnaval, convite ao vício, à prostituição, ao comércio fácil... O índio não é mercadoria, e os biomas não são palcos de shows criminosos, que só trazem destruição, doença e morte!... Quem envenena flora e fauna brasileiras? Quem vestiu fardas nos índios em 1964? Quem assiste ao genocídio do povo indígena junto aos garimpos?... As Vozes Índias não vão silenciar jamais, como fazem desde 1500, mesmo diante da "cruz e da espada", mesmo diante da fome e da dor!...

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A Ciência, com maiúscula, tem no conhecimento as respostas, as possíveis soluções para as questões naturais, ditas ambientais, mas sabedoria não cai do céu, mesmo a preço de ouro... Os vários ciclos biogeoquímicos, por exemplo, explicam a maioria das questões climáticas, embora as ações humanas agravem várias situações, fato que o bicho-homem tenta sempre adiar, ignorar, mistificar! A mudança de modelos de humanidade se faz necessária, urgente, mas exige igualmente conhecimento, e coragem, coragem quem sabe de guerreiro Kaiapó, Tupinambá, sem medo da Verdade. É grande a contribuição humana para os desastres naturais pontualmente, mas o planeta não é inerte, estável, bom ou mau, mas mutante, evolutivo, desde milhões e milhões de anos, como a Ciência comprova.

 

Então, ao conhecimento científico sereno, esperançoso, o viés nudista-naturista, como meio e modo para uma concreta integração de homem e natureza, afinal. É hora de rever conceitos e definições e o Naturismo, como teoria e prática, como filosofia de vida, pode mostrar caminhos retos de integração. Saber viver conforme a Natureza, "As Nature Intended" (Como a Natureza Planejou), eis a questão, a nudez longe de ser tabu, a comunhão com o natural como base de uma melhor qualidade de vida, o respeito pelo diferente, a simplicidade superlativa, que os nossos irmãos índios tanto conhecem...

Nota: Integração em vez de remendos, de sustentabilidades oportunistas, a maioria descabida, o homem nu sem estranhamentos, a Natureza indomável sem julgamentos, a Ciência, e a História, sem pseudo-reparos, sem subjetividades cômodas, sem milagres fantasiosos. Conforme observa R. Dawkins, biólogo evolucionista, a Natureza não é boa nem má, é indiferente! E não depende de ser sustentada pelo bicho-homem, o primata paradoxal, tagarela, cruel, criativo, utópico...

(enviado em 01/06/24 via WhatsApp)

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